quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Material Informativo - Álcool e Drogas


Ministério da Saúde - Aqui você encontra materiais de apoio construídos com base em conhecimentos científicos atualizados, que podem subsidiar iniciativas voltadas à prevenção e a recuperação de usuários de crack e outras drogas. 
LINK: 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

UNISA - Especialização em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental

Curso ministrado aos Sábados - QUINZENALMENTE


Datas importantes:


Inscrição: até 26/7/2012


Seleção e convocação para matrícula: de 27 a 28/7/2012 


Matrículas: de 29/07 à 1/8/2012


Inicio das aulas: 4/8/2012


Carga horária
417 horas

Duração
18 meses

Supervisão do Curso
Profa.Cláudia Polubriaginof

Local e horário de realização
Campus II - Rua Isabel Schmidt, 349 - Santo Amaro. São Paulo-SP.
Sábados, das 8h às 17h (encontros quinzenais)

Valor do investimento
18 parcelas de R$ 399,00

Taxa de inscrição
R$ 25,00 


Informações: 
http://www.unisa.br/pos/especializacao/enfermagem/309133apr.shtml

quarta-feira, 18 de julho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quando os santos de casa realizam seus milagres

Na intercessão entre a psiquiatria e a antropologia, livro reúne ensaios e artigos de Antônio Mourão
Desde pequeno, Antônio Mourão gostava de ouvir histórias de vida. Ainda menino, durante as visitas à família do pai, em Crateús, passava parte do tempo na mercearia de um tio homeopata, que, segundo se dizia na vizinhança, escolhia o composto adequado.

Tais experiências, embora precoces, certamente influenciaram o caminho profissional de Mourão, que não apenas se tornou médico (e escolheu a psiquiatria como especialidade), mas trilhou caminhos pouco ortodoxos dentro do campo, a partir de uma segunda formação, em Antropologia. Após formar-se em medicina na Universidade Federal do Ceará, concluiu estudos na famosa Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, de Paris (França).

Parte dessa trajetória pode ser conhecida no livro “Psiquiatria – Outros olhares”, a ser lançado hoje, na Livraria Cultura. Nele, Mourão explora principalmente os laços que unem a psique humana aos diferentes contextos socioculturais nos quais os sujeitos estão inseridos, a partir de uma abordagem denominada etnopsiquiatria. 

Segundo o autor do livro, esta corrente não se opõe à tradicional abordagem medicamentosa, mas a complementa.

A etnopsiquiatria (também chamada de psiquiatria social) fundamenta-se no reconhecimento das diferenças entre indivíduos, ao considerar tanto a dimensão psíquica quanto a cultural – nesse último caso, especialmente de aspectos relacionados às relações sociais, de identidade e de situações vividas ao longo da vida.

“Por exemplo, um paciente esquizofrênico do interior do Ceará não adoece do mesmo modo que um esquizofrênico em Tóquio, no Japão, embora a doença tenha um conteúdo genético. Enquanto o segundo pode falar que está sendo perseguido por monstros de jogos eletrônicos, o primeiro pode relatar demônios ou entidades da cultura popular”, explica Mourão “Outra diferença: já tratei padres e freiras com depressão. Eles choram, lamentam, mas nunca falam em suicídio, por conta dos preceitos do catolicismo”, frisa o médico.

Mourão conheceu a etnopsiquiatria na Europa, onde estudou e trabalhou após formar-se em medicina. A primeira experiência foi no Hospital de Saint Luc, da Universidade Católica de Louvain, Bélgica, onde conheceu alternativas de tratamento que substituíam as práticas de uma psiquiatria então fundamentalmente asilar. No lugar de confinamento e eletrochoques, Mourão conheceu uma unidade de psiquiatria integrada a um hospital universitário, além de uma equipe integrada com aquelas de outras especialidades.

Paralelamente, conheceu o trabalho de George Devereux, que ministrava seminários de etnopsiquiatria em Paris. Anteriormente, já havia tido contado com os livros do professor François Laplantine, outro nome relevante na área.

Casos
A fim de tornar o conteúdo mais claro e acessível, Mourão tomou o cuidado de permear o livro com relatos de pacientes atendidos (com os nomes modificados ou suprimidos). Como, por exemplo, o de um jovem da Paraíba, que, aprovado em concurso público, mudou-se para a cidade cearense de Paracuru. “Lá, ele começou a adoecer, não dormia direito, tinha pesadelos e taquicardia. Tudo isso gerou ainda um desgaste na relação com a esposa”, lembra Mourão.

“Ele já tinha procurado um cardiologista e outros especialistas, quando chegou até mim. Em conversa, contou-me que sua família na Paraíba era umbandista, e que, antes de se mudar, ele estava se preparando para ser pai-de-santo. Em Paracuru, ao contrário, era um total desconhecido. Sugeri, então, que ele abrisse seu terreiro na cidade. Os olhos do jovem chega brilharam. Eventualmente, quando montou o espaço, os sintomas desapareceram”, conta o médico.

Segundo Mourão, o relato demonstra a relevância peculiar da religião na vida do povo brasileiro. “A cultura tem ferramentas que, se corretamente utilizadas, ajudam a pessoa a ficar integrada e de bem com ela mesma e com os outros. A religião é uma delas”, comenta o médico.

Em outra passagem, na introdução do livro, o psiquiatra recorda a ocasião em que questionou a ausência de leitos com rede para pacientes nordestinos, no lugar da tradicional cama hospitalar. “No Nordeste, dorme-se muito de rede, ao ponto de alguns pacientes internados ficarem com medo de cair da cama e isso interferir na qualidade do sono. Tanto que vi inúmeras vezes médicos incluirem no prontuário remédios para eles dormirem”, conta. “É um detalhe que revela como a cultura tem a ver com a dimensão emocional”, complementa.

Compilação
Outro capítulo importante do livro trata da terapia familiar sistêmica, segundo a qual é indispensável observar o todo e não as partes do sistema familiar, e com a qual Mourão teve contato aprofundado também na Bélgica. Lá fez parte da primeira turma da terapeuta de família Mony Elkaim.

Por fim, no terceiro capítulo, Mourão aborda alguns temas atuais no campo da psiquiatria, como a perda e o luto, a erotização precoce de crianças e as drogas. Boa parte dos textos do livro é oriunda de artigos publicados ao longo dos anos de carreira do autor na revista eletrônica Psychiatry On Line Brasil. “Mas muitas pessoas me pediam cópias impressas, então resolvi juntar tudo em um livro, acompanhado de uma introdução, onde resumo meu itinerário profissional”, detalha.

De fato, é na introdução onde melhor resume a essência da obra. “Uma parte de mim não acredita em pai-de-santo, em umbanda, em rezadeira, isso enquanto sou psiquiatra. Pois é uma ciência que tem suas referências. Mas, como sou brasileiro, nordestino, do Ceará, não posso desconhecer essa realidade. Eu tenho que saber que caminho com essas duas identidades. Uma não precisa destruir a outra”, expressa no texto.

Segundo ele, o livro destina-se a tanto aos profissionais quanto às pessoas que gostam do assunto, no sentido de “vislumbrar outros olhares, em vez de ficar preso unicamente à questão medicamentosa, à psicofarmacologia”, complementa na entrevista.

LIVROPsiquiatria – Outros olhares
Antônio Mourão Cavalcante
Cia. dos Livros Editora
2012, 184 páginas
R$ 39,90

Mais informações:
Lançamento de "Psiquiatria – Outros olhares". Hoje, às 19 horas, na Livraria Cultura (Av. Dom Luís, 1010, Meireles – Shopping Varanda Mall). Contato: (85) 4008.0800

Adriana MartinsRepórter

domingo, 8 de abril de 2012

Quem foi Nise da Silveira?

Psiquiatra e Psicoterapeuta alagoana (15/2/1905-30/10/1999). Pioneira no uso da pintura, escultura e modelagem nos tratamentos psiquiátricos no país, cria o Museu de Imagens do Inconsciente, em 1952, com o mais original acervo de obras de arte produzidas por psicopatas.
Nascida em Maceió, forma-se em medicina na Bahia em 1926, mudando-se em seguida para o Rio de Janeiro, onde ingressa, por concurso, no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia. Trabalha como residente no Instituto de Neurologia Deolindo Couto e depois se transfere para o Centro Psiquiátrico Pedro II. Denunciada em 1936 como simpatizante do Partido Comunista, passa 16 meses na prisão.

Libertada, volta ao Pedro II e rejeita as agressivas terapias psiquiátricas ali utilizadas até então. Dirige a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação, orientada pelas teses do psicanalista Carl Gustav Jung, a quem conheceu pessoalmente em 1957. Em 1956 funda a Casa das Palmeiras, clínica para o tratamento em regime aberto de pacientes psiquiátricos.

Ao utilizar a pintura, a escultura, a modelagem e a carpintaria, descobre que, mesmo quando a personalidade do paciente se desintegra, ele mantém em seu psiquismo um estímulo para a produção de imagens. Sua terapia humanizadora ainda inclui o convívio dos doentes com cães e gatos, provando que a afetividade não é anulada pelo problema mental.

Publica, entre outros trabalhos, uma biografia de Jung, o ensaio Imagem, Ação, Afeto e o livro Imagens do Inconsciente. Em 1998, aos 93 anos, lança a obra Gatos, A Emoção de Lidar, sobre seus animais preferidos. Morre de insuficiência respiratória no Rio de Janeiro.


Mais sobre Nise da Silveira:

Vale a pena!

NISE DA SILVEIRA – SENHORA DAS IMAGENS, a peça estende até 26 de abril suas apresentações no Teatro Eva Herz (Avenida Paulista 2.073, Livraria Cultura | Conjunto Nacional).

Fone bilheteria: 11 3170-4059 Site: www.teatroevaherz.com.br  e www.ingresso.com 

Ingresso: R$50,00. Meia-entrada para estudantes, idosos, professores da rede pública de ensino e portadores de necessidades especiais

Horário de atendimento da bilheteria: de Terça a sábado: das 14h às 21h e domingos: das 12h às 19h

sábado, 7 de abril de 2012

Curso - Psicofarmacologia para profissionais não-médicos

Reencarnação e Psicoterapia: como abordar eticamente as crenças espirituais dos pacientes que buscam psicoterapia?

Segundo Data Folha 37% das pessoas no Brasil acreditam em reencarnação e conforme World Values Survey esta crença é professada por grande parte da população mundial, que naturalmente podem procurar psicoterapia
 
A crença na reencarnação – envolve um ciclo contínuo de aprendizado e evolução através das vidas sucessivas – é encontrada ao longo da história humana em diferentes épocas e culturas. Deste ponto de vista, as dificuldades são transitórias e podem ser superadas quando suas lições que as adversidades trazem são absorvidas.
 
O psicólogo clínico e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP, Julio Peres, publicou há dois dias o artigo “Should psychotherapy consider reincarnation?" no Journal of Nervous and Mental Disease (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22297317). “Há um crescente reconhecimento da necessidade de se levar em conta o ambiente cultural e os sistemas de crenças dos pacientes na psicoterapia. Respeitar as opiniões e realidades subjetivas do paciente é uma necessidade terapêutica e um dever ético, mesmo que os profissionais não compartilhem das mesmas crenças”, explica.
 
Em todo o mundo há um grande número de pessoas que crêem na reencarnação. Segundo dados do World Values Survey, tal crença é professada por 22,6% da população nos países nórdicos, 27% na Europa Ocidental, 20,2% na Europa Oriental; já nos Estados Unidos o número chega a 27% (Gallup, 2003) e no Brasil a 37% (Data Folha, 2007). Parte importante da cultura, as crenças religiosas têm papel importante na formação de juízos e no processamento de informações, auxiliando muitas pessoas a organizarem ou compreenderem eventos dolorosos, caóticos e imprevisíveis que podem gerar sintomas diversos como Fobias Específicas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
 
A inclusão de “problemas religiosos ou espirituais” como categoria diagnóstica no DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994) reconhece que os temas religiosos e espirituais podem ser foco da consulta psiquiátrica/psicológica. “Estar confortável para abordar com o paciente temas sobre espiritualidade e religiosidade como a reencarnação é o primeiro de uma série de passos para que o processo terapêutico siga as diretrizes éticas”, postula o psicólogo clínico.
 
“A integração da crença reencarnacionista durante a psicoterapia requer profissionalismo, conhecimento e capacidade de alinhar as informações coletadas sobre os valores do paciente para o benefício do seu processo terapêutico. Questionamentos como psicólogos e psiquiatras devem discutir reencarnação com seus pacientes?, quais são os limites profissionais quando temas religiosos e/ou espirituais são trazidos? foram esclarecidos”, afirma Julio Peres.
 
Recentemente um artigo no The New York Times (Lisa Miller) afirmou que o interesse na reencarnação está em ascensão, e os responsáveis pela divulgação não são monges ou teólogos, mas terapeutas. “Esta notícia nos indica uma abertura terapêutica saudável, mas também uma preocupação com ‘falsos-terapeutas’ que não possuem um treinamento clínico adequado para conduzir a psicoterapia”, ressalta Julio Peres. “Atribuir significados aos sintomas de ansiedade, desajuste, fobia específica ou estresse pós-traumático, alinhados aos conteúdo de supostas vidas passadas – se essa for a crença do paciente – podem favorecer a atenuação ou libertação dos sintomas.”
 
As práticas religiosas que envolvem a reencarnação, por exemplo, desempenham um papel ativo no desenvolvimento de mecanismos saudáveis de enfrentamento por refugiados tibetanos. Não tão distante, uma engenheira de 38 anos e mãe de três filhos, se sentia incapaz de se relacionar com um deles. “Ela não conseguia expressar afeto e evitava o contato com essa criança, sem compreender as causas deste distanciamento. Por acreditar na reencarnação e no fato que ‘somos um pai ou um filho nesta vida por alguma razão’, buscou algumas abordagens psicoterápicas até sentir que sua crença em relação à reencarnação era aceita. Ao sentir confortável para expor suas dificuldades com seu filho relacionando-as com o que acreditava, a paciente conseguiu se ouvir, gerar novos comportamentos e um equilíbrio na relação com o filho durante o processo terapêutico”, exemplifica Julio Peres. “Porém, para que isso acontecesse foi preciso entender a relação entre os sintomas apresentados por ela, as crenças na reencarnação e o significado da evolução espiritual para a paciente.”
 
O Conselho Federal de Psicologia (CFP), em nota pública sobre Psicologia e religiosidade no exercício profissional à sociedade e aos psicólogos, esclarece que “Não existe oposição entre Psicologia e religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma ciência que reconhece que a religiosidade e a fé estão presentes na cultura e participam na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós.” 

Portanto, assim como qualquer pessoa pode procurar tratamento psicológico alinhado aos seus valores e crenças, a reencarnação deve ser levada em conta pelos psicoterapeutas, que devem procurar formação adequada em abordagens coerentes e eficazes sem misticismo ou práticas divinatórias. “As informações obtidas na psicoterapia devem ser sobre o que os pacientes acreditam, o que exige conhecimento de estratégias objetivas para otimizar o enfrentamento das dificuldades com base neste sistema de crenças”, ressalta Julio Peres, psicólogo clínico e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP. O artigo “Should psychotherapy consider reincarnation?" é a primeira publicação científica sobre a interface equilibrada entre reencarnação e psicoterapia, que também oferece contribuições ponderadas em tópicos que discutem os riscos e as contraindicações.

DANIELLE FLÖTER

Julio Peres
 
Psicólogo clínico e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Fez Pós-doutorado no Center for Spirituality and the Mind, University of Pennsylvania e na Radiologia Clínica - Diagnóstico de Imagem pela UNIFESP. Autor de estudos que investigaram os efeitos neurobiológicos da psicoterapia através da neuroimagem funcional (Psychological Medicine 2007 e Journal of Psychiatric Research 2011). Pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (PROSER) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e Professor Titular de Psicotraumatologia Clínica do Hospital Pérola Byington. Autor de artigos científicos sobre psicoterapia, trauma psicológico, espiritualidade/religiosidade, reencarnação, resiliência, superação e dos livros "Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade ensinam" editora ROCA (www.julioperes.com.br), e "Neuroimaging for Clinicians: Combining Research and Practice" Ed. InTech (http://www.intechweb.org/books/show/title/neuroimaging-for-clinicians-combining-research-and-practice).