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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Lítio pode ser o segredo da luta contra o Alzheimer

Aos 65 anos, a aposentada Marilaine da Luz elaborou uma maratona mental diária que envolve navegar pela internet, ler jornais, desafiar palavras cruzadas e espantar a solidão conversando com familiares e amigos. A estratégia de exercitar o cérebro se iniciou há cinco anos, quando dona Ilsa, mãe de Marilaine, hoje com 79 anos, foi diagnosticada com Alzheimer.

Como a maioria das pessoas que têm familiares com a enfermidade, Marilaine teme desenvolver a doença degenerativa, progressiva e incurável.

— Sinto medo e fico estressada só de pensar nessa doença. Já pensou esquecer de tudo? Se tivesse um remédio eficiente para prevenir, eu me atiraria de cabeça nele.

A droga sonhada por Marilaine ainda não existe. Mas talvez esteja próximo de ser encontrada. Uma pesquisa inédita, coordenada pelos professores Wagner Farid Gattaz e Orestes Forlenza, do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) indica que doses de lítio (empregado no tratamento de pacientes com transtorno bipolar) podem prevenir o surgimento da doença.

Com Gattaz e Forlenza à frente, pesquisadores do IPq aplicaram lítio em cerca de 200 voluntários com idade igual ou superior a 65 anos, sem diagnóstico de nenhum tipo de demência, mas que apresentavam transtornos cognitivos leves. Trata-se de um público-alvo de alto risco porque, embora saudáveis, em um ano é provável que entre 10% e 15% dos idosos com esse perfil demonstrem sintomas de Alzheimer. Os resultados obtidos são considerados auspiciosos.

— Dos que usaram lítio, 18% desenvolveram Alzheimer após um ano. Dos que tomaram placebo, o dobro foi diagnosticado com Alzheimer — diz Gattaz, presidente do Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria.
De acordo com o pesquisador, há dois fatores que contribuem para a morte acelerada de neurônios na doença de Alzheimer: a deposição de placas de um peptídeo chamado beta-amiloide, que acarreta a morte neuronal, e a hiperfosforilação da proteína tau, que leva a uma perda de sustentação do esqueleto celular. A enzima GSK contribui para esses dois mecanismos. Assim, supõe Gattaz, a inibição da GSK por meio do lítio pode prevenir as lesões neuropatológicas da doença O trabalho deverá ser publicado nas próximas edições da revista científica British Journal of Psychiatry.

Embora seja um passo importante em direção à prevenção, as perspectivas para o tratamento dos sintomas ou mesmo da cura da doença ainda estão distantes — para desilusão de Marilaine e dos familiares dos cerca de 1,2 milhões portadores de Alzheimer apenas no Brasil. A velocidade e a agressividade com que a doença compromete a capacidade cognitiva impressionam.

— Em três anos, pacientes submetidos a tratamento apresentarão os mesmo sintomas daqueles que não são medicados — afirma a Gattaz.

Alheia aos avanços da medicina, Marilaine dedica-se a ministrar doses diárias de carinho à mãe — o mais eficaz "remédio" descoberto, até hoje, para amenizar o sofrimento dos que vão e a dor dos que ficam.

— Minha mãe fez tudo por nós. Agora, estou retribuindo e fazendo tudo por ela — diz Marilaine, que desfruta de cada detalhe dos momentos de lucidez de dona Ilsa, hoje residindo em uma clínica especializada.

O que é Azheimer

Doença de Alzheimer é um distúrbio cerebral progressivo, que leva à destruição das células do cérebro, à perda de memória e a outras funções cerebrais. A doença geralmente se desenvolve lenta e gradualmente, piora à medida que mais células cerebrais morrem. Em última instância, a doença de Alzheimer é fatal e, atualmente, não existe cura.

Os sintomas

O sintoma inicial mais comum é a dificuldade de lembrar as informações aprendidas recentemente. Com o avanço da doença, surgem sintomas cada vez mais graves como desorientação, alterações de comportamento, confusão sobre eventos, hora e local, suspeitas infundadas sobre a família, amigos e cuidadores profissionais. A perda de memória se acentua e surgem dificuldades para falar, engolir e andar.

As causas

Enquanto os cientistas sabem que a doença de Alzheimer envolve a progressiva falência dos neurônios, a razão pela qual as células a doença se instala ainda não não está clara. Como em outras patologias crônicas, especialistas acreditam que o Alzheimer se desenvolve como um resultado complexo de múltiplos fatores, em vez de uma causa primordial. A idade e a genética têm sido identificados como fatores de risco, mas não os únicos. A descoberta de fatores de risco adicionais deverá ajudar a explicar o porquê de o Alzheimer se desenvolver em algumas pessoas e não outras.

Descobertas recentes

— Pesquisadores identificaram um gene que provavelmente aumenta o risco de Alzheimer de início tardio. O MTHFD1L está no cromossomo 6, e sua alteração foi identificada em 2.269 pessoas com Alzheimer. Indivíduos com mutação nesse gene teriam o dobro de riscos de desenvolver a doença.

— Uma pesquisa publicada no Archives of Neurology, desenvolvida no Medical Center da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA), faz uma relação com a dieta. Cientistas descobriram que os participantes adultos que incluíam mais frutos oleaginosos, peixe, aves, frutas e verduras em sua alimentação, diminuindo a quantidade de laticínios gordurosos, carne vermelha e manteiga, apresentavam risco menor de sofrer de demência. O segredo pode estar em nutrientes como ômega 3, vitamina E e ácido fólico.

— Cientistas japoneses publicaram um estudo no periódico online especializado The Faseb Journal, anunciando a descoberta de uma nova ferramenta que poderá revolucionar o diagnóstico da doença. O exame mede o nível da proteína beta- amiloide no fluido espinhal do paciente. Quanto maior a presença da substância, maior a probabilidade de o indivíduo ser portador de Alzheimer.

10 sinais do Alzheimer

1) A perda de memória que perturba a vida diária
2) Desafios no planejamento ou resolver problemas
3) Dificuldade em completar tarefas familiares, no trabalho ou em lazer
4) Confusão com o tempo ou lugar
5) Problemas para compreensão visual
6) Problemas para falar ou escrever
7) Trocar o lugar das coisas
8) Dificuldades para tomar decisão
9) Ausência de atividades sociais
10) Alterações de humor e de personalidade

FONTE: Site alz.org da Associação Nacional de Alzheimer (EUA)
Foto:Robero Vinícius

Carlos Etchichury - carlos.etchichury@zerohora.com.br
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?section=Segundo%20Caderno&newsID=a3151903.xml

domingo, 14 de novembro de 2010

Link - Cérebro e Alzheimer

Link - Conceitos básicos sobre o cérebro e A Doença de Alzheimer e o Cérebro
Contribuição da Nataly Miyatake

http://www.alz.org/alzheimers_disease_4719.asp

Vale a pena!!!

domingo, 1 de agosto de 2010

Uso abusivo de bebida e cigarro, visto com certa naturalidade nessa faixa etária, piora doenças e afeta qualidade de vida

Excesso de bebida e fumo durante a velhice ainda são aceitos indevidamente por famílias e médicos e não recebem a atenção devida dos pesquisadores. Como consequência, agravam problemas crônicos nos idosos. O alerta foi feito pela enfermeira gerontologista Madeleine Naegle, professora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade de Nova York, durante o 17.º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia.

Em São Paulo, cerca de 9% da população idosa consome álcool em excesso, segundo estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre os idosos que nunca estudaram está o índice mais alto: 15,9%. No Brasil, pesquisas mostram que 12% dos idosos bebem pesado, 10,4% confessam ter problema com o binge drinking (em uma só ocasião tomar várias doses) e 3% são dependentes. "A prevalência de fumo caiu 35% no Brasil, mas não entre idosos", destacou ainda a enfermeira.

"Só agora as pesquisas falam de dependência de álcool e cigarro entre os velhos. Os médicos não perguntam sobre dependência de drogas, condição que piora com o uso concomitante de diversos medicamentos pelo idoso", afirmou Madeleine. "Às vezes as pessoas dizem que o cigarro ou a bebida são a única coisa que resta ao idoso, mas não é verdade", complementa.

O maior risco desse consumo está nos efeitos do álcool no organismo: perda de massa muscular, prejuízos ao cérebro, hipertensão, comprometimento do fígado e um risco maior de interação negativa com os medicamentos. O álcool e o fumo, além disso, exacerbam as doenças crônicas mais comuns no idoso, como problemas no coração, diabete, artrite e câncer.

Ela defende que médicos sejam enfáticos na apresentação dos ganhos de qualidade de vida que ocorrem com o tratamento da dependência com medicamentos e psicoterapia. "Um ano ou 20 anos que restam podem ser anos de qualidade de vida."

Para a psicóloga Sueli Freire, da Universidade Federal de Uberlândia, os hábitos adquiridos pelas pessoas durante a vida são essenciais para uma boa velhice. "É possível mudar, mas só se o indivíduo tiver uma razão forte para isso, se for convencido. Alguns pacientes dizem, brincando, que não se muda cachorro velho.
Muda-se, sim. Basta um bom treinador."

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588541,0.php

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mais de 9% dos idosos de SP abusam do álcool, diz HC

Mais de 9% dos idosos paulistanos consomem bebida alcoólica em excesso, segundo estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas (HC) de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde. O levantamento feito com 1.563 pessoas com 60 anos ou mais apontou que 9,1% dessa população abusa do álcool, o equivalente a 88 mil idosos da capital paulista. Mais do que isso, o estudo traçou um perfil dos idosos que sofrem com o problema.

Entre os dados que se destacam na pesquisa está a influência da escolaridade na incidência do alcoolismo na população idosa. Entre os idosos que nunca estudaram está o mais alto índice: 15,9%. O índice vai caindo conforme aumenta o tempo de estudo dos idosos. Na faixa que estudou de um a quatro anos, o índice de alcoolismo é de 10,9%; entre os que estudaram de 5 a 8 anos, é de 7,5%; de 9 a 11 anos de estudo, o índice chega a 4,4%. Já entre os idosos que estudaram por 12 anos ou mais, cai a 2,2%.

A pesquisa também mostrou que o alcoolismo está presente em todas as classes econômicas, mas principalmente entre as camadas mais pobres. A classe A tem 7% de sua população idosa sofrendo com o alcoolismo. Na classe B, são 3,1% dos idosos e na classe C, 8,8%. Na classe D estão 13,6% dos idosos com problema de alcoolismo e a classe E tem 18,3% dos idosos nessa situação.

Em relação ao estado civil, o maior índice de alcoolismo está entre os casados, com 13% de idosos alcoólatras. Os solteiros têm índice de 6,6% e os separados ou divorciados, 5,6%. Já entre viúvos, o índice é de 4,2%. No geral, o índice de alcoolismo entre os homens idosos atingiu os 20%. Entre as mulheres, esse número ficou em 3,1%.

Preocupação

"Os números são preocupantes. O consumo excessivo de álcool é extremamente prejudicial à saúde dessas pessoas acima dos 60 anos. Além dos males clínicos à saúde, há também os problemas sociais, de relacionamento com a família e com os amigos", afirma Cássio Bottino, coordenador do programa de Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria.

Os idosos são mais sensíveis ao efeito do álcool. O uso abusivo de bebida alcoólica aumenta o risco de quedas, problemas de desnutrição, aumento de pressão arterial e doenças cardiovasculares. Além disso, como essa população frequentemente faz uso de medicamentos, a interação com o álcool pode ser altamente prejudicial.

Tratamento

A secretaria mantém dois serviços especializados em tratamento de adultos dependentes de álcool e drogas. Uma em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e outra em Itapira, no interior do Estado. O atendimento é feito por equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros.

Além de medicação específica, os pacientes em tratamento têm atendimento psicológico individual e coletivo, participam de atividades físicas e esportivas, como caminhada, natação e futebol, e realizam terapias ocupacionais, como oficinas de pintura, artesanato e expressão corporal, entre outras.

O objetivo das duas clínicas é oferecer um modelo voltado à desintoxicação, mas fora do ambiente de enfermaria hospitalar para o qual essas pessoas costumam ser encaminhadas. Cabe aos municípios realizar a triagem desses pacientes, verificando a necessidade de internação.

AE - Agência Estado
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mais-de-9-dos-idosos-de-sp-abusam-do-alcool-diz-hc,521710,0.htm