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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Consumo de antidepressivos cresce 49% em 4 anos

Entre janeiro e junho de 2011, foram comercializadas no Brasil 34,6 milhões de unidades farmacêuticas contra depressão e outros transtornos de humor, um aumento de 49,1% comparado às 23,2 milhões de cápsulas vendidas no mesmo período de 2007.

A evolução da venda deste tipo de medicamento no País foi registrada ano a ano, conforme levantamento feito, a pedido do iG Saúde, pela empresa de consultoria farmacêutica IMS Health Brasil.

Para os especialistas, o gráfico em ascensão reflete dois fenômenos, um positivo e outro negativo. Ao mesmo tempo em que revela maior acesso dos pacientes às medicações que previnem e tratam uma das doenças mais incapacitantes do mundo, conforme classifica a Organização Mundial de Saúde (OMS), também pode mostrar um uso indiscriminado dos remédios, composto por automedicação e usuários dependentes.

"A população com mais renda também consome mais medicações", explica o professor do departamento de ansiedade da Universidade de São Paulo e médico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Márcio Bernik.

"Além disso, estes tipos de remédio ficaram mais seguros dos anos 80 para cá, com menos efeitos colaterais o que também ampliou o acesso. Isso criou, em algumas classes terapêuticas, bolhas de uso inadequado."

Dois lados

A escritora Cátia Soares, 51 anos, e a dona-de-casa Isaura (que prefere não ter o nome completo divulgado), de 60 anos, são os dois lados da moeda do uso de antidepressivos e medicações para os mais de 40 tipos de transtornos de humor descritos pela Psiquiatria.

A primeira, que faz tratamento medicamentoso contínuo desde os 37 anos com acompanhamento do psiquiatra, afirma que as pílulas foram a sua salvação.
"Não me tornei um robô por causa delas e hoje só consigo viver com o auxílio dos medicamentos, como os usados para diabetes ou hipertensão", acredita Cátia (leia o depoimento).

Já a dona-de-casa compara sua situação "a uma prisão". Não foi o profissional de saúde que receitou os comprimidos usados por ela todas as noites para tentar dormir e controlar a ansiedade.

"Uso o remédio que toda a minha família usa", confessa. O efeito na indução da sonolência é cada vez menor e desde que passou a sofrer os efeitos da menopausa - há 20 anos - ela faz uma alquimia caseira para tentar combater os sintomas que vão de tristeza profunda a angústia e dificuldade no sono.

Máscara

O comportamento descrito pela dona-de-casa é assistido cotidianamente pela neurologista Andréa Bacelar, vice-presidente da Academia Brasileira do Sono. "Nos consultórios, os pacientes que chegam não dormem direito há mais de cinco anos, em média, e relatam uso de polimedicamentos no período", diz.

"O tratamento deles é mais complicado porque exige a prescrição de drogas para tratar a dependência de alguns remédios, outras para sanar os efeitos colaterais e também é preciso traçar um plano individual para tentar combater na raiz a dificuldade para dormir."

Assim como os antidepressivos, o consumo de drogas usadas para insônia também está em ascensão. O levantamento feito pela IMS Health Brasil mostra que em quatro anos, a comercialização de hipnóticos e sedativos teve alta de 3,6 milhões de doses vendidas por mês, saindo de 11 milhões em junho de 2007 para atuais 14,6 milhões em 2011.

Para Andrea Bacelar, o uso indiscriminado ou por conta própria dos remédios pode mascarar outras doenças ligadas à insônia, como a própria depressão. Na lista também podem estar fibromialgia, problemas respiratórios como asma, DPOC e apneia obstrutiva do sono, e até obesidade e sedentarismo.

O médico do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Luciano Ribeiro, acrescenta: para que as estatísticas de vendas deste tipo de medicação mensurem somente efeitos positivos é preciso conscientização tanto dos usuários quanto dos profissionais de saúde.

Médicos traficantes

As mudanças de paradigmas são lentas e não dependem só dos pacientes", acredita Luciano Ribeiro. "É claro que é preciso coibir os usuários que têm acesso aos medicamentos por vias ilícitas, mas muitas pessoas que tomam os remédios indiscriminadamente fazem com aval dos médicos."

Segundo o neurologista, estes profissionais de saúde têm a postura semelhante a de traficantes, já que abastecem com receitas indiscriminadas e sem critérios pessoas que são dependentes das drogas.

"É preciso alertar para a prescrição oficial indiscriminada. Isso também precisa mudar."
O último relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Intoxicações (Sinitox), departamento ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra mesmo que as drogas vendidas com o propósito de curar ou amenizar sintomas podem provocar um número de efeitos colaterais ainda maior do que as drogas ilícitas.

Divulgado no início do ano, o relatório mostra que durante o ano de 2009 foram acumulados 26 mil registros de intoxicação por medicamentos. O uso abusivo de maconha, cocaína e outras somou 6,7 mil casos.

http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=7&idnot=61493

domingo, 9 de janeiro de 2011

Doença mental é a que mais afeta o trabalho no Brasil, revela estudo

As doenças mentais são responsáveis por cinco das dez principais causas de afastamento do trabalho no País -- sendo a primeira delas a depressão --, o que representa um gasto de R$ 2,2 bilhões por ano, o equivalente a 19% dos custos com auxílios-doença pagos pela Previdência Social a um universo de 1,5 milhão de pessoas. Os números aparecem num levantamento sobre a infra-estrutura dos serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo foi divulgado nesta terça-feira (20) no seminário Ação Global para o Aprimoramento Mundial da Saúde Mental, parte de uma iniciativa da publicação científica inglesa "The Lancet", que neste mês compilou uma série de artigos sobre saúde mental e seus impactos em vários países, entre eles o Brasil.

“As doenças mentais são as que mais incapacitam as pessoas e os gastos com a assistência representam apenas 2% do orçamento do Ministério da Saúde. Observamos um grande descompasso entre o impacto das doenças e o investimento no cuidado com elas”, afirma o psiquiatra Jair Mari, professor da Unifesp e responsável pela pesquisa. Ele enumera os problemas: depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, abuso de álcool e episódios de violência, que podem estar relacionados com várias patologias.

Sem diagnóstico precoce, sem acompanhamento adequado, essas pessoas aparecem na rede quando já estão totalmente incapacitadas e as doenças atingiram um estágio crônico. “Para lidarmos com tudo isso, o relatório aponta para a necessidade de essa fatia do orçamento aumentar para cerca de 5%, para conseguirmos melhorar a rede de atendimento, principalmente a atenção primária, que pode ser feita em parceira com as equipes do Programa Saúde da Família, que precisam ser treinadas”, completa.

Esse é justamente um dos principais desafios apontados pelo estudo: apesar de a rede estar aumentando, ainda não há locais suficientes para assistência a portadores de transtornos mentais. A oferta cresceu depois do início da reforma psiquiátrica, que prevê a desativação dos antigos manicômios por centros de atendimento psicossocial, chamados Caps, e por leitos de internação em hospitais gerais.

Outro problema é a distribuição desigual tanto dos serviços quanto dos especialistas: somente em São Paulo, há quase o dobro dos psiquiatras de todo o restante do País. Atualmente, existem 5,2 mil psiquiatras em exercício no Brasil, uma média de 2,83 profissionais para cada 10 mil habitantes. Na América Latina, são 4,66 profissionais para cada 10 mil habitantes.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL185877-5603,00-DOENCA+MENTAL+E+A+QUE+MAIS+AFETA+O+TRABALHO+NO+BRASIL+REVEL+ESTUDO.html

Depressão influencia desejo sexual feminino

A depressão é uma das condições mais deletérias na vida de uma pessoa, e muito difícil de enfrentar. As pesquisas sobre saúde mental mostram que mais mulheres sofrem de estados depressivos do que homens.

A depressão produz alguns aspectos que influenciam muito a sexualidade. Quando se está deprimido não se percebe o mundo através dos cinco sentidos da mesma forma. Sob a depressão percebe-se a diminuição do desejo, um desinteresse pela vida, as cores ficam esmaecidas, não achamos que as coisas são tão bonitas ou que tragam prazeres. As sensações táteis, tão importantes para a vida sexual e para o prazer erótico, ficam enfraquecidas, não tem a mesma importância que em outras oportunidades.

Sob depressão pensamos de modo errado, negativo. Achamos que não valemos a pena, não consideramos que o mundo e as outras pessoas são válidas e não existe um futuro que possa ser bom.

Sob estas circunstâncias o desejo sexual fica alterado. São duas formas viáveis de se exercer o desejo sexual.

A primeira é a mais reconhecida: usamos o pensamento para nos conduzir para percepções eróticas. Usamos idéias, fantasias, lembranças que já sabemos nos erotizam e isso fortalece nossa ações sexuais.

A segunda forma exige a disponibilidade inicial de estarmos na situação de possível entrosamento. Então a estimulação sobre os cinco sentidos produz o desejo e a motivação para dar continuidade ao contato erótico.

Então, como se nota, as duas formas de expressão do desejo sexual podem ser comprometidas quando existe um quadro depressivo.

O desejo sexual ainda será comprometido por mais um fator. A depressão afasta as pessoas dos contatos interpessoais, faz com que elas desejem ficar quietas, em casa, paradas. Não têm vontade de conversar, de realizar atividades físicas. E o que é o sexo se não uma atividade física, a dois.

Mesmo quando alguém deprimido faz sexo, o prazer será comprometido de tal forma que não haverá um registro de que a atividade sexual valeu a pena. Isto favorece a piora do desejo sexual. A depressão não permite desejo sexual, e ainda dificulta mais a vivência de sexo.

Oswaldo M. Rodrigues Jr - psicólogo do Instituto Paulista de Sexualidade
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--34-20110107&tit=depressao+influencia+desejo+sexual+feminino

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Filhos de pais que cometem suicídio também estão em risco de sofrer desordens psiquiátricas

Autora: Barbara Boughton

Crianças com menos de 18 anos cujos pais cometeram suicídio tem 3 vezes mais chances de morrer por suicídio do que aquelas com parentes vivos, de acordo com um estudo coorte retrospectivo conduzido na Suécia.

O estudo foi o maior estudo que examinou os fatores de risco para suicídio e desordens psicológicas entre aqueles que são sobreviventes do suicídio parental, como prole de pais que morrem por doença ou acidentes. Esse resultado indica de que maneira um pai morre e a idade da criança no momento da morte, e esses fatores têm um grande impacto nos resultados psicológicos posteriores.

"O modo de morte dos pais — particularmente o suicídio— bem como o período de desenvolvimento ou idade da prole quando ocorreu o falecimento de um dos pais tinha um impacto a longo prazo nos resultados psicológicos.

Nosso estudo aponta para a importância da conscientização e a necessidade de monitoramento do risco para sintomas psiquiátricos adversos entre crianças que perdem seus pais em razão do suicídio e referindo jovens sobreviventes de suicídio dos pais para tratamento psiquiátrico se necessário,” disse o pesquisador, o Dr.Holly Wilcox, professor assistente epidemiologista psiquiátrico no Johns Hopkins Children’s Center in Baltimore, Maryland.

No estudo, os investigadores comparam suicídios, hospitalizações psiquiátricas e condenações por crimes violentos durante 30 anos em mais de 500.000 crianças suecas, e jovens adultos que perderam um dos pais para o suicídio doença ou acidente.

Esses resultados foram comparados com aqueles de 4 milhões de crianças e jovens adultos com pais vivos.O estudo descobriu que aqueles que perderam seus pais para o suicídio tinham um maior risco de hospitalização para todos os tipos de desordens psiquiátricas a tentativas de suicídio do que a prole de pais vivos (ratio de incidência [IRR], 1,3 – 1,9).

Crianças com menos de 13 anos que perderam os pais para doença não tiveram um risco aumentado para suicídio. Mas todas as crianças que experimentaram a morte de um dos pais tinham mais chances de necessitar de hospitalizações em razão de tentativas de suicídio, depressão, droga e uso de álcool, psicose, e desordens de personalidade do que a prole de parentes vivos (IRRs variando de 1.3 a 1,9 até a idade de 25 anos).

Os pesquisadores concluíram que o risco para suicídio e desordens psicológicas foi maior entre aqueles que experimentaram suicídio dos pais na infância ou adolescência. Aqueles que perderam seus pais para o suicídio como jovens adultos, não tinham um risco aumentado para o suicídio se comparados com aqueles que tinham pais vivos (IRR, 1,3; 95% e intervalo de confiança, 0,9 – 1,9).

Prole que perdeu um dos pais para o suicídio durante a infância também tinha mais chances de experimentar o uso de drogas e desordens psicóticas do que aqueles que perderam um dos pais para o suicídio durante o início da vida adulta (interação P = 0,04 e P = 0,04).

Apesar de aqueles que experimentaram a morte de um pai com menos de 26 anos tiveram um maior risco de ter convicções criminais violentas do que aqueles com parentes vivos (IRR, 1,2 – 1,6), o modo da morte não parecia fazer muita diferença se a prole estava convicta de um crime violento.

"Nós esperamos achar que os sobreviventes de suicídio tiveram um risco aumentado para convicções criminais violentas," disse o Dr. Wilcox. Esse resultado pode sugerir que os traços agressivos e impulsivos são menos ligados fortemente ao suicídio do que pesquisa anterior sugeriu apesar de convicções clínicas violentas são apenas uma medida de tais traços, ele adicionou.

Apesar de os resultados do estudo ser impressionantes, o Dr. Wilcox chama atenção para o fato que a taxa de suicídios completos em sobreviventes ainda é baixa — cerca de 3%. "Suicídio é um resultado bastante raro ate mesmo nessa população de risco," ela disse.

"O tamanho do estudo é tão substancial que os investigadores foram capazes de demonstrar alguns achados muito cruciais sobre a prole de um pai que comete o suicídio," comentou Matthew Biel, professor assistente e diretor de psiquiatria de crianças e adolescentes no Georgetown University Hospital, Washington, DC.

"O estudo dá forte evidência que o suicídio dos pais é um fator muito importante na saúde mental a longo prazo da prole, e os esforços necessitam ser realizados para identificar as intervenções mais efetivas que irão suportar o ajuste e o desenvolvimento a longo prazo de crianças e adolescentes com pais que cometeram suicídio,” ele disse.

O estudo teve algumas limitações importantes, contudo. Como foi conduzida na Suécia, que tem o tratamento de saúde universal e onde os níveis de renda são altos comparados com aqueles em outros países, os achados podem não se aplicar a outras populações, disse o Dr. Wilcox.
Como os pesquisadores usaram dados registrados, eles apenas incluíram resultados de pacientes tratados em cenários hospitalares, e eles também excluíram pacientes com hospitalizações psiquiátricas anteriores.

"Essas limitações podem ser resultantes de uma estimativa de risco mais conservativa do que é realmente o caso," comentou a Dra. Manpreet Kaur Singh, professora assistente de psiquiatria no Department of Psychiatry and Behavioral Sciences na Stanford University School of Medicine na California.

Dr. Singh notou que poucos estudos olharam para a efetividade das intervenções para risco de suicídio entre as crianças de pais que cometeram suicídio. “Nós não tempos evidencia que uma intervenção cedo possa funcionar, mas intuitivamente é algo que pensamos que irá pagar dividendos para essas crianças," ela disse.

Tais intervenções incluem base individual ou aconselhamento familiar para ajudar crianças através do processo de luto e a avaliação sendo realizada para doenças psiquiátricas. "Em crianças, os primeiros sintomas de estar em risco para a doença psiquiátrica são declínios na função — na escola, em relacionamentos aos pares, ou relações de família" ela disse.

"Quando você vê um lapso no funcionamento, você tem que engajar a família em uma conversação sobre os riscos e benefícios do tratamento, "adicionou a Dra. Singh.

J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2010;49:514-523.

domingo, 31 de outubro de 2010

Índice de suicídios no Brasil é problema de saúde pública

No Brasil, 25 pessoas se matam por dia, fazendo do país o 11º colocado no ranking mundial de suicídios, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. As informações foram divulgadas pelo psiquiatra Neury José Botega, professor da Unicamp, durante a 28ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que escolheu a prevenção do suicídio como um dos temas principais. O encontro, em Fortaleza, vai até sábado (30).

"A questão do suicídio é realmente um problema de saúde pública porque temos um alto índice de pessoas que estão passando por muito sofrimento e que poderiam ter sido ajudadas caso não tivessem se matado", afirmou à Folha.

Segundo ele, os dados de suicídio podem ser ainda maiores do que os divulgados oficialmente, já que não é raro que muitos casos acabem recebendo outra caracterização na certidão de óbito: "O medo de não receber o dinheiro do seguro pode fazer com que muitas famílias pressionem os médicos a atestar falência múltipla dos órgãos em vez de suicídio".

Botega afirma que o aumento dos casos de depressão e de consumo de álcool e drogas são sinais preocupantes e que podem justificar o aumento dos índices de suicídio, principalmente entre adultos jovens: "São pessoas entre os 25 e os 40 anos que estão numa fase produtiva da vida. A competitividade e a solidão nas grandes cidades são alguns dos pacotes de alta tensão social que favorecem a uma sensação de desamparo e aumentam as formas alternativas de sentir prazer, como recorrer às drogas e ao álcool."

Segundo ele, os sinais de que alguém está cogitando tirar a própria vida não podem ser ignorados: "Aqui não vale a máxima do 'cão que ladra não morde'. Muitas vezes a pessoa dá sinais, fala até mesmo vagamente em se matar, mas acaba não sendo levada a sério".

ESTRATÉGIA

O psiquiatra apresentou no congresso dados de uma pesquisa internacional realizada pela OMS de que ele participou, comparando estratégias de prevenção ao suicídio.
Ao todo, foram analisadas 1.867 pessoas que tentaram o suicídio em cinco cidades do mundo. Após terem alta do hospital, metade delas recebeu o tratamento usual --mero encaminhamento a um serviço de saúde-- e a outra metade teve um acompanhamento intensivo, com entrevistas motivacionais e contatos telefônicos periódicos por 18 meses.

Ao final do experimento, apenas 0,2% das pessoas que receberam acompanhamento intensivo chegaram a praticar o suicídio, taxa dez vezes menor do que no grupo que recebeu o tratamento usual. "O contato telefônico periódico criava uma rede de apoio e ajudava a pessoa que já tinha tentado se matar a ressignificar o que havia acontecido na vida dela", diz.
 
http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=215548

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pacientes terminais superam a depressão

Os pesquisadores estão relatando sucesso preliminar no uso da psilocibina para aliviar a ansiedade de pacientes com doenças terminais. Charles S. Grob, psiquiatra, descreve o uso dos psicodélicos como “medicina existencial” que ajuda pessoas que estão morrendo a superar o medo, o pânico e a depressão.

“Sob a influência dos alucinógenos, os indivíduos transcendem sua identificação primária com seus corpos e experimentam estados mentais sem ego, antes da hora do seu fim físico”, explicou Grob. “Eles voltam com uma nova perspectiva e aceitação profunda da mudança inerente à vida”.

Os pesquisadores também observaram os efeitos das drogas ao fazerem exames por imagem nos cérebros sob influência de alucinógenos. Os cientistas estão especialmente intrigados com as semelhanças entre as experiências alucinógenas e as revelações relatadas por místicos religiosos.

Essas semelhanças foram identificadas em estudos com exames neurais por imagem conduzidos por Roland Griffiths, professor da Universidade Johns Hopkins.

Pesquisa conta com apoio de grupos privados

Embora as agências reguladoras dos EUA tenham voltado a permitir experimentos com psicodélicos, pouco dinheiro público foi concedido às pesquisas, que estão sendo realizadas na Universidade Johns Hopkins, Universidade Harvard, Universidade de Nova York e Universidade da Califórnia. Os estudos têm o apoio de grupos privados e sem fins lucrativos, como o Instituto de Pesquisa Heffter e a Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (Maps).

“Essa é a união da ciência e da espiritualidade”, disse Rick Doblin, diretor da Maps. “Esperamos que as grandes empresas e a comunidade psicodélica possam se encontrar no meio do caminho e evitem outra guerra cultural. Graças às mudanças nos últimos 40 anos, estamos mostrando que essas drogas podem gerar benefícios que os tratamentos atuais não proporcionam”.

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=138428