Mostrando postagens com marcador Dependência Química. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dependência Química. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Material Informativo - Álcool e Drogas


Ministério da Saúde - Aqui você encontra materiais de apoio construídos com base em conhecimentos científicos atualizados, que podem subsidiar iniciativas voltadas à prevenção e a recuperação de usuários de crack e outras drogas. 
LINK: 

sábado, 7 de abril de 2012

Ayahuasca provoca visões “realistas

Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, 10 veteranos frequentadores do Santo Daime se reúnem para tomar Ayahuasca em grupo, como fazem há anos. Normalmente, eles usam a droga alucinógena em rituais religiosos, com cânticos e louvações. A bebida, feita a partir da mistura de um cipó e das folhas de um arbusto amazônico, produz um efeito alucinógeno e costuma causar visões e experiências místicas em seus usuários. O ritual tem origem indígena – a bebida era consumida pelos povos da floresta em cerimônias desde tempos ancestrais. 


Só que, desta vez, o ritual não tem nada de ancestral. Eles estão em um laboratório científico. Ao invés das músicas, o único barulho na sala vem de uma máquina de ressonância magnética, onde os usuários são colocados antes e depois de ingerir a bebida. Enquanto sentem sua percepção se alterar e começam a ter alucinações, um grupo de cientistas analisa imagens que representam as áreas de seu cérebro. Eles notam que a droga ativa o córtex visual primário, localizado no lobo occipital, área que tem papel fundamental para a visão. Para a surpresa dos pesquisadores, essa área ficou tão ativa quando o participante encarou fotografias quanto no momento em que ele ingeriu o Ayahuasca, fechou os olhos e teve visões. A imagem também mostrou o funcionamento de áreas ligadas à recuperação de memórias biográficas e à imaginação de futuros eventos. “Ao aumentar a intensidade das imagens lembradas ao mesmo nível da percepção visual, o Ayahuasca dá status de realidade a experiências internas”, diz Draulio de Araújo, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, responsável pelo estudo. Veja a entrevista completa que a GALILEU fez com o pesquisador:

Como você teve acesso ao Ayahuasca usado na pesquisa? Outros cientistas também conseguiriam ter acesso à droga? 
Antes de ter acesso à Ayahuasca para a realização de qualquer pesquisa, é necessário que se tenha aprovação por algum comitê de ética em pesquisa (CEP). No nosso caso, o projeto foi aprovado pelo CEP do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto. Uma vez tendo essa aprovação, pode-se buscar parceria com igrejas que fazem uso do Chá, como a do Santo Daime, a União do Vegetal ou a Barquinha. Há alguns grupos realizando pesquisa com a Ayahuasca no Brasil, como, por exemplo, na USP de Ribeirão Preto, a Universidade Federal do São Paulo (UNIFESP), a Universidade Federal do Ceará, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Você concorda com a classificação do Ayahuasca como droga alucinógena? 
A Ayahuasca pode ser classificada como uma droga, sim, usando o entendimento de que ela contém substâncias químicas que alteram os mecanismos de neurotransmissão cerebral de forma direta. Baseado na mesma definição, também podemos incluir nesse conjunto o tabaco, o álcool, o café, e o chocolate. Como qualquer outra substância psicoativa, há algumas considerações importantes a serem feitas na avaliação dos riscos associados ao seu uso. A primeira diz respeito ao seu poder de dependência química. No caso da Ayahuasca, que age sobre o sistema serotonérgico, não há comprovação científica sobre a eventual dependência química causada pelo seu uso. O segundo, as alterações sobre o sistema nervoso autonômico. No caso da Ayahuasca, há evidências que as mudanças de pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, além da temperatura do corpo, permanecem dentro de limites considerados normais. Por outro lado, sabe-se que é importante evitar o uso da Ayahuasca nos casos em que o indivíduo esteja fazendo uso de medicamentos que alteram os níveis de serotonina, como é o caso de alguns anti-depressivos que estão baseados na inibição seletiva de recaptação de serotonina, por exemplo, o PROZAC.

Como foi feito o teste?

Realizamos duas sessões de imagem funcional por ressonância magnética (uma antes e outra após a ingestão de aproximadamente 200 ml de Ayahuasca) em 10 indivíduos experientes no uso do chá. A pergunta central desse primeiro estudo estava na compreensão da potencialização da geração de imagens mentais pelo uso da Ayahuasca. Durante as duas sessões os indivíduos permaneciam dentro de um equipamento hospitalar de imagem por ressonância magnética. Os dados desse primeiro experimento estão publicados na revista Human Brain Mapping.

Quanto aos resultados da pesquisa, o que significa o fato de as imagens mentais serem percebidas na mesma área cerebral que processa as imagens visuais? É isso que torna as visões tão realistas?

Esse é o tipo de especulação que pode ser feita: que a realidade das imagens geradas mentalmente seja a mesma das percebidas pela modulação do sistema visual. Porém, o nosso estudo não fornece elementos suficientes para garantir essa relação.

A atividade de áreas cerebrais relacionadas à memória pode explicar porque muitas dessas visões são tão significativas para os usuários do Ayahuasca?

Mais uma vez, essa é uma possível especulação, que o nosso trabalho não fornece elementos de garantia necessários. Uma frase do nosso artigo que traduz todas essas perspectivas é: “As visões induzidas pela Ayahuasca têm sido usadas tradicionalmente em contextos religiosos para dar acesso um mundo interno muito significativo. Nossos resultados indicam que essas visões vêm da ativação de uma rede de áreas cerebrais envolvidas com a visão, a memória e a intenção. Ao aumentar a intensidade das imagens relembradas ao mesmo nível da visão, o Ayahuasca dá um status de realidade a experiências internas. A partir disso, é possível entender por que o Ayahuasca foi selecionado culturalmente ao longo dos séculos pelos xamãs das florestas para facilitar revelações místicas de natureza visual.” 
Antes de sua pesquisa ser feita, qual era o nível das pesquisas brasileiras estudando o Ayahusca? 
Estudos com Ayahuasca no Brasil vêm sendo conduzidos há muito tempo, envolvendo principalmente aspectos farmacológicos e antropológicos do seu uso. Boa parte desses estudos deram contribuições significativas para a compreensão mais geral sobre a Ayahuasca e foram conduzidos em parcerias importantes com outros grupos no exterior. O nosso grupo tem abordagem que agrega técnicas da neurociência, em especial a imagem funcional por ressonância magnética. Outros estudos, envolvendo outras técnicas, como por exemplo a Eletroencefalografia, já haviam sido conduzidos, por pesquisadores de Florianópolis em conjunto com pesquisadores americanos.

O que o estudo dos efeitos de uma droga pode nos ensinar?

Esse estudo em particular pode ter várias implicações, além de ampliar a compreensão do nosso cérebro. Por exemplo, há bastante tempo temos argumentos e indícios de que a compreensão da consciência como um todo passa necessariamente por estudos envolvendo estados alterados de consciência.
por Guilherme Rosa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 18 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os riscos do consumo excessivo de energéticos

Não é incomum encontrar homens consumindo latinhas de energético pela manhã para aguentar o ritmo do trabalho após um happy hour animado. Ricos em cafeína, estas bebidas são estimulantes, mas não devem ser consumidas em exagero, pois podem fazer mal à saúde.

A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central e, por isso, ajuda a deixar as pessoas mais alertas. "Cada latinha de energético equivale a cerca de três xícaras de café, bebida que também é rica na substância. Por isso, o ideal é que a pessoa consuma, no máximo, uma lata e meia por dia, porque cafeína em excesso pode intoxicar o organismo, levando a náuseas, taquicardia, tremores, insônia, irritabilidade e zumbidos", explicou Vladimir Schraibman, especialista em cirurgia geral e gastrocirurgia, do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, da capital paulista.

Alessandra Grisante, nutricionista especializada em Fisiologia do Exercício do Hospital 9 de Julho, da mesma cidade, lembrou que é importante distinguir as bebidas energéticas das bebidas desportivas ou repositoras energéticas. "Estas têm composição diferente, sem cafeína ou estimulantes, com base prioritária de carboidratos (açúcares), visando a reidratação e a reposição da energia perdida durante a prática de esportes, sendo aplicadas de maneira criteriosa e individualizada".

O médico alertou que o consumo de bebidas energéticas industrializadas deve ser limitado, afinal, "não é um isotônico". Além disso, a cafeína pode viciar, levando à necessidade de doses cada vez maiores para se obter o mesmo efeito. "Tem gente que fica até com síndrome de abstinência", afirmou. "É preciso deixar claro que, apesar de as bebidas energéticas conterem cafeína, não devem ser ingeridas como o café na rotina diária", concordou a nutricionista.

Contra-indicações

Alessandra afirmou que, nutricionalmente falando, não há recomendação do consumo de bebidas energéticas, principalmente para pessoas enfermas, crianças, gestantes, idosos etc. "Os efeitos variam de acordo com a dose ingerida e a sensibilidade de cada um. A quantidade que deixa o jovem eufórico, para um idoso hipertenso pode levar ao aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, com maior risco de morte", explicou.

Além disso, a nutricionista do Hospital Nove de Julho comentou que a portaria nº 868/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obriga os fabricantes de bebidas energéticas a informar no rótulo que enfermos e idosos devem evitar seu consumo. Segundo ela, isto ocorreu após a descoberta de algumas irregularidades, como excesso de vitaminas e falta de comprovação das funcionalidades (pontecializadora, estimulante, melhora do desempenho etc).

Balada boa

Durante as festas e baladas, muita gente mistura o energético com bebidas alcoólicas para disfarçar o sabor do álcool ou para potencializar o efeito "de alerta" que ela possui. Segundo Schraibman, é justamente aí que está o maior perigo: "temos a depressão do álcool, mascarando seus sintomas, e a potencialização da cafeína. Além disso, a pessoa ingere a mistura e dificilmente se alimenta, levando a casos de desidratação e hipoglicemia. Tem gente que chega a desmaiar!", destacou.

Alessandra demonstrou preocupação com a crescente associação entre os jovens: "o energético pode esconder os sinais de intoxicação do álcool, evitando que a pessoa perceba que já bebeu demais, podendo levá-la ao coma alcoólico, seguido de morte. A longo prazo, esta combinação é um fator de risco para o desenvolvimento de dependência química do álcool".

Essa tal cafeína

Schraibman citou o guaraná e o gengibre como estimulantes naturais, que podem ser usados por aqueles que objetivam se manter mais despertos. Alessandra destacou o café, fonte de cafeína; chocolate (principalmente aqueles com maior teor de cacau); chás verde, mate e preto; e alguns refrigerantes, "cabendo a possibilidade de efeitos adversos no consumo de todos eles".

Embora leve a má fama, a nutricionista contou que a cafeína não é de todo ruim, visto que está presente em alguns medicamentos e estudos demonstraram que entre quatro e seis xícaras de café - grande fonte da substância - por dia são capazes de promover uma melhora do desempenho físico, estado de alerta e melhora neurocognitiva em atletas. Mas, ela também pode ter efeitos negativos, visto que acelera o metabolismo, tem ação diurética (pode levar à desidratação), entre outros. Além da substância, os energéticos também são ricos em açúcares e este é mais um motivo para controlar o consumo: podes colaborar com o aumento do peso.

http://www.correiodoestado.com.br/noticias/conheca-os-riscos-do-consumo-excessivo-de-energeticos_106099/

sábado, 15 de janeiro de 2011

Temporada brasileira de Amy Winehouse reabre debate sobre dependência química

Complexa, única, genial. Desde o início da carreira já dava para perceber que Amy Winehouse não usava aquele cabelo à toa. Em sete anos ela vendeu 40 milhões de discos, fez algumas trapalhadas, terminou e voltou algumas vezes com Blake Fielder-Civil, contrariou seu maior sucesso e foi, sim, para uma clínica de reabilitação para dependentes químicos. Após dois anos sem fazer shows, ela veio recomeçar no Brasil e o público aplaudiu de pé. Mas, ao que tudo indica, a cantora ainda está longe da recuperação. Por quê?

— Mudar é difícil para todos nós. A diferença é que a droga perverte o sistema motivacional (formado por valores e princípios) a ponto de o dependente químico procurar o que o destrói. E o desejo é tão intenso que o dependente vai no impulso, sem pensar duas vezes — explica a psiquiatra Analice Giglioti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio e consultora da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas.


Não é possível analisar a fundo o caso de Amy, mas, em sua passagem pelo Rio, ela foi flagrada tomando champanhe na piscina do hotel e, no primeiro show no Rio, virou uma garrafa de cerveja num gole só: um comportamento incompatível para quem quer se livrar das drogas.


— Por mais que isso seja assunto e parte do glamour de Amy, beber sete garrafas de Veuve Clicquot não é tratar de dependência química — condena.

Vício fez da cantora uma caricatura de si própria

O médico Ronaldo Laranjeira, professor titular de psiquiatria da Universidade de São Paulo (Unifesp), acredita que o meio onde a cantora circula não sinaliza para ela sua própria deterioração:

— Em uma sequência de fotos desde o início da carreira, dá para ver o quanto ela se deteriorou fisicamente, é quase uma caricatura de si mesma — lamenta. — Mas, se os amigos usam drogas e ela pertence a uma rede social que compartilha os mesmos valores, pode não se dar conta.

Diretor da Associação Americana de Psiquiatras, Jorge Jaber lista as quatro áreas alteradas pelo transtorno: raciocínio e memória (o doente muitas vezes não lembra de seguir o tratamento); sentimentos (a pessoa parece insensível, com dificuldade de ver os danos que causa e sem capacidade de estabelecer metas abstêmias a longo prazo); pensamento (que compromete a avaliação da realidade); e comportamento (responsável pela agressividade).

— Esse doente precisa estar em permanente contato com uma cultura de saúde, mas, com a arrogância gerada pela doença, ele tem dificuldade para aceitar o tratamento — explica. — Só que a dependência química é uma doença crônica como o diabetes: não tem cura, tem controle.

Segundo a médica Camila Magalhães Silveira, psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), algumas drogas têm mais poder de dependência que outras: uma em cada oito pessoas que experimenta álcool se torna dependente. Com o crack, associado à Amy (em 2008 o tablóide britânico “The Sun” exibiu um vídeo em que a cantora parecia estar fumando a droga), uma em cada duas ou três pessoas que experimenta fica viciada.

— A droga trabalha no circuito de recompensa do cérebro, então a experiência é lembrada como prazerosa — explica. — Como o efeito é muito forte e efêmero, os dependentes repetem o processo muitas vezes durante o uso e há um desgaste físico e mental muito grande, que tem como consequência irritabilidade e prejuízo de memória.

Lesões cerebrais podem ser permanentes

A pior notícia é que as lesões cerebrais causadas pelas drogas são permanentes e podem alterar as habilidades artísticas, como cantar. A médica cita o psiquiatra Sérgio Nicastri, do Hospital Israelita Albert Einstein, que, através do exame de ressonância magnética funcional, observou o fluxo sanguíneo cerebral em indivíduos que usam cocaína e crack. Danos neuroniais impediram que o sangue chegasse às partes afetadas pelas drogas.

— As lesões são menos importantes que o comportamento porque o cérebro pode compensar as perdas se houver abstinência — pondera Camila. — Mas o paciente tem que saber que o tratamento é constante.

Viviane Nogueira
http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/temporada-brasileira-de-amy-winehouse-reabre-debate-sobre-dependencia-quimica-872611.html

domingo, 9 de janeiro de 2011

Curso - Dependência química para Enfermeiros

Temas abordados:
# Conceitos básicos em Dependência química
# Dependência de álcool, cocaína e crack – manejo do paciente na intoxicação e abstinência
# Perfil do dependente, co-dependência e os 12 passos

Carga horária: 12 horas

Data: 19 e 20 de fevereiro de 2011

Investimento:
Até 20/01/2011 - R$ 80,00
De 21/01/2011 a 16/02/2011 - R$ 90,00

Informações:
11 2601 3608 ou 2865 3286
http://www.enfermagempsiquiatrica.com.br/page_6.html

sábado, 27 de novembro de 2010

Programa A liga - Band - Drogas

A Liga - Drogas - 14/09/10 - Parte 1/7


A Liga - Drogas - 14/09/10 - Parte 2/7


A LIGA - Drogas - 14/09/2010 - Parte 3/7


A Liga – Drogas - 14/09/10 - Parte 4/7


A Liga - Drogas - 14/09/10 - Parte 5/7


A Liga - Drogas - 14/09/10 - Parte 6/7


A LIGA - Drogas - 14/09/2010 - Parte 7/7

domingo, 1 de agosto de 2010

Uso abusivo de bebida e cigarro, visto com certa naturalidade nessa faixa etária, piora doenças e afeta qualidade de vida

Excesso de bebida e fumo durante a velhice ainda são aceitos indevidamente por famílias e médicos e não recebem a atenção devida dos pesquisadores. Como consequência, agravam problemas crônicos nos idosos. O alerta foi feito pela enfermeira gerontologista Madeleine Naegle, professora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Universidade de Nova York, durante o 17.º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia.

Em São Paulo, cerca de 9% da população idosa consome álcool em excesso, segundo estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Entre os idosos que nunca estudaram está o índice mais alto: 15,9%. No Brasil, pesquisas mostram que 12% dos idosos bebem pesado, 10,4% confessam ter problema com o binge drinking (em uma só ocasião tomar várias doses) e 3% são dependentes. "A prevalência de fumo caiu 35% no Brasil, mas não entre idosos", destacou ainda a enfermeira.

"Só agora as pesquisas falam de dependência de álcool e cigarro entre os velhos. Os médicos não perguntam sobre dependência de drogas, condição que piora com o uso concomitante de diversos medicamentos pelo idoso", afirmou Madeleine. "Às vezes as pessoas dizem que o cigarro ou a bebida são a única coisa que resta ao idoso, mas não é verdade", complementa.

O maior risco desse consumo está nos efeitos do álcool no organismo: perda de massa muscular, prejuízos ao cérebro, hipertensão, comprometimento do fígado e um risco maior de interação negativa com os medicamentos. O álcool e o fumo, além disso, exacerbam as doenças crônicas mais comuns no idoso, como problemas no coração, diabete, artrite e câncer.

Ela defende que médicos sejam enfáticos na apresentação dos ganhos de qualidade de vida que ocorrem com o tratamento da dependência com medicamentos e psicoterapia. "Um ano ou 20 anos que restam podem ser anos de qualidade de vida."

Para a psicóloga Sueli Freire, da Universidade Federal de Uberlândia, os hábitos adquiridos pelas pessoas durante a vida são essenciais para uma boa velhice. "É possível mudar, mas só se o indivíduo tiver uma razão forte para isso, se for convencido. Alguns pacientes dizem, brincando, que não se muda cachorro velho.
Muda-se, sim. Basta um bom treinador."

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100731/not_imp588541,0.php

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ansiedade e depressão fazem pessoas ficarem dependentes de chocolate

O Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) convoca maiores de 18 anos que se consideram viciados em chocolate a participar de um estudo que pretende levantar as causas da compulsão. Serão dez encontros quinzenais no próprio instituto, localizado na região central de São Paulo, às segundas-feiras, das 10h às 11h30. Durante os encontros, os pesquisadores vão incentivar diálogos sobre o tema e oferecer chocolates aos participantes.

Apesar de o termo “chocólatra” ser usado popularmente por quem apenas gosta de chocolate, comer demais a guloseima pode ser sinal de compulsão ou mesmo um distúrbio alimentar que requer tratamento clínico e psiquiátrico. Isso porque o produto vira uma válvula de escape para pessoas com ansiedade ou depressão, que alteram os níveis de serotonina do cérebro, responsáveis pelas sensações de prazer.

Segundo o psiquiatra Arthur Kaufman, líder da pesquisa do Programa de Atendimento ao Obeso do Ipq, a pessoa pode ser considerada viciada em chocolate quando come o doce todos os dias, em bastante quantidade e em um curto espaço de tempo. A vontade incontrolável de ingerir a guloseima é característica comum à compulsão alimentar.

- Um chocólatra é aquela pessoa que come de 300g a 500g de chocolate por dia, mas tem gente que chega a comer 1kg.

Outro fator comum ao chocólatra é usar o doce para aliviar momentos de tensão, explica Kaufman.

- O chocolate libera um neurotransmissor chamado endorfina, o mesmo que é liberado quando se faz muitas horas de academia, que dá sensação de prazer, porque ativa a liberação da serotonina, responsável pelo humor. Quem come chocolate tem melhora imediata do humor.

A economista Carolina de Oliveira, de 25 anos, é chocólatra assumida. Funcionária de uma grande empresa de telecomunicações, sua carga de trabalho diário costuma ser intensa.

- Quando eu não estou estressada como uns quatro ou cinco chocolates. Mas se eu estiver, é mais de dez.
Chego a perder a conta.

A predileção de Carolina pelo doce chega afetar outras refeições. Ela disse que gosta de trocar o almoço por uma barra. Tanto que em um antigo trabalho chegou a cultivar uma gaveta repleta de chocolates em sua mesa de trabalho. Questionada se se considera viciada, a economista não titubeou.

- Sou muito chocólatra. Eu entrei de dieta e consegui ficar sem chocolate por no máximo sete dias e meio.
Não ligo de não comer comida, mas não dá para ficar sem chocolate.

A troca de alimentos por chocolate é outro fator comum entre os chocólatras, de acordo com o endocrinologista Leila Maria Batista de Araújo, vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Isso porque, segundo ela, o vício em chocolate já sinaliza que a pessoa tem uma alimentação desregrada.

- Não deixa de ser um distúrbio alimentar. As pessoas se privam de uma alimentação adequada e, para não se frustrar, tentam comer o chocolate.

Neste grupo, a médica inclui até as celebridades que, mesmo apresentando belos corpos, dizem abusar da guloseima.

- O indivíduo que faz dietas exageradas se priva de coisas importantes, o que gera uma desregulação na operação do metabolismo, alterando os níveis de serotonina. E isso faz ela querer comer muito doce, porque abe que vai ficar mais calma.

Tratamento é feito com moderador de apetite ou antidepressivos

Se for comprovada a compulsão pelo chocolate, o tratamento deve ser realizado como o de qualquer outro distúrbio alimentar, com medicação que limite a vontade de comer descontroladamente. Segundo a endocrinologista da Abeso, são indicados remédios a base de sibutramina (moderador de apetite) ou antidepressivos como a fluoxetina.

- Se a pessoa é obesa, damos a sibutramina para ela perder peso. Se sofre de transtorno de ansiedade ou é depressiva, damos a fluoxetina que vai tentar normalizar os níveis de serotonina.

Junto aos medicamentos, o ideal é receber também orientação psicológica ou psiquiátrica. Para a psicóloga Cecília Zylberstajn, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a psicoterapia é importante porque age na parte emocional, ajudando a pessoa a reconhecer seus sentimentos que levam à compulsão.

- A terapia vai ajudá-la a identificar os problemas existentes que podem influenciar na mudança do comportamento.

Autor: R7.COM  Fonte: O NORTÃO
http://www.onortao.com.br/ler.asp?id=34781

domingo, 27 de junho de 2010

Grupo invade clínica de reabilitação e mata 9 no México

Um grupo armado invadiu uma clínica de reabilitação e matou nove homens no estado de Durango, no México. O atentado ocorreu neste sábado, segundo informações das autoridades locais. Outros nove homens ficaram feridos.

A procuradoria da justiça informou que entre as vítimas está o proprietário da clínica. O local tinha 50 pessoas internadas. Alguns conseguiram fugir no momento do ataque.
Os corpos das vítimas, que tinham entre 17 e 50 anos de idade, foram encontrados em diversos lugares da clínica.

Outro ataque

Este é o segundo ataque a clínicas de recuperação de drogados no México em 2010. Em 11 de junho, 19 pessoas foram mortas em outro centro de reabilitação para dependentes químicos no estado vizinho de Chihuahua.

Os ataques a estes locais têm sido atribuídos a acertos de contas do narcotráfico porque vendedores de drogas os estariam utilizando para se esconderem de grupos rivais.

No ano passado, também no estado de Chihuahua, mas na fronteiriça Ciudad Juárez, houve vários ataques a centros de reabilitação de toxicômanos, entre os quais se destaca o ocorrido em setembro, quando foram assassinados 18 jovens no conhecido "El Aliviane".

Nos últimos dois anos, episódios ocorridos em centros de ajuda a viciados em drogas deixaram mais de 50 mortos no estado.

Com agências internacionais
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/757925-grupo-invade-clinica-de-reabilitacao-e-mata-9-no-mexico.shtm

sábado, 26 de junho de 2010

Pelo menos 1% da população usa tranquilizantes de forma abusiva, afirma psiquiatra

No Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico de Drogas uma questão merece maior atenção: o uso abusivo de tranquilizantes. Segundo o médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Ivan Mário Braun, pelo menos 1% da população usa tranquilizantes de maneira abusiva.

O integrante do grupo interdisciplinar de estudos de álcool e drogas (Grea) explica que, em função das restrições impostas ao consumo álcool, existem grupos que usam comprimidos para obter efeitos semelhantes àqueles alcançados com a ingestão de bebidas alcoólicas. Dessa forma, a detecção dessas substâncias no organismo é mais difícil que a do álcool.

“O uso abusivo de tranquilizantes atinge cerca de 1% da população, cifra menor que a das demais drogas, mas numa população de 190 milhões de habitantes representa um grupo significativo”, disse Braun. O psiquiatra afirmou que a liberação do uso de drogas em alguns países pode inibir o tráfico, mas o consumo também pode aumentar.

O tema da campanha do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc), lançada este ano no Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico de Drogas é "Pense em saúde, não em drogas".
 
Agência Brasil
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/06/26/cienciaesaude,i=199580/PELO+MENOS
+1+DA+POPULACAO+USA+TRANQUILIZANTES+DE+FORMA+ABUSIVA+AFIRMA+
PSIQUIATRA.shtml

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lula declara guerra contra o crack



http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1287085-7823-LULA+DECLARA+GUERRA+CONTRA+O+CRACK,00.html

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Álcool: 33% dos jovens de escolas privadas de SP já tomaram porre

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgaram, nesta segunda-feira (7/6), um levantamento inédito sobre o consumo de drogas entre estudantes de escolas privadas paulistanas.

O estudo – que contou com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxilio à Pesquisa Regular – teve a participação de 5.226 alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio, em 37 escolas.

De todas as drogas o álcool se mostrou, de longe, a mais usada: 40% dos estudantes haviam bebido no mês anterior à pesquisa, enquanto 10% haviam consumido tabaco, a segunda droga mais prevalente. O álcool é também a droga que começa a ser consumida mais cedo, com média de idade de 12,5 anos. O primeiro consumo de álcool ocorreu em casa para a maior parte dos entrevistados: 46%.

Segundo a coordenadora do estudo, Ana Regina Noto, pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, um dos dados que mais chamaram a atenção no levantamento é que, no ensino médio, 33% dos alunos consumiram álcool no padrão conhecido como binge drinking – ou “beber pesado episódico” – no mês anterior à pesquisa.

O comportamento binge se caracteriza pelo consumo, na mesma ocasião, de cinco ou mais doses de 14 gramas de etanol – valor correspondente a cinco latas de cerveja (ou copos de vinho ou doses de bebida destilada).

“O estudo revelou padrões de consumo que merecem atenção entre os estudantes da rede particular, em especial em relação ao álcool. Um terço dos alunos do ensino médio relatou prática de binge drinking no mês anterior ao estudo, o que é uma porcentagem extremamente elevada. Esse comportamento traz alto risco, pois o adolescente embriagado fica em situação de vulnerabilidade em vários aspectos da vida, favorecendo brigas, acidentes de trânsito e sexo desprotegido, por exemplo”, disse Ana Regina à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, o estudo indica que ações preventivas contra drogas em ambiente escolar devem ser iniciadas em idades precoces, com ênfase em drogas lícitas como o álcool e o tabaco. E, no ensino médio, o padrão binge de consumo deve ter atenção especial.

“Muitas vezes as campanhas preventivas são focadas em drogas como maconha e cocaína. Mas essas são consumidas em faixas etárias mais altas e contextos sociais diferentes. O estudo mostrou que cerca de 80% dos estudantes do ensino fundamental e 70% do ensino médio nunca usaram qualquer droga exceto álcool e tabaco”, disse Ana Regina.

Mesmo entre os adolescentes que utilizaram outras drogas, nada se aproximou do padrão de consumo caracterizado pelo comportamento binge relacionado ao álcool. “Se há uma droga que representa risco para o adolescente é, sem dúvida, o álcool e esse comportamento de se embriagar”, afirmou.

O estudo também identificou fatores de risco e de proteção ligados ao consumo das drogas. No caso do comportamento binge, os principais fatores de risco foram faixa etária mais elevada, maior poder aquisitivo, maior número de saídas noturnas e presença de modelos em casa.

A idade média de início de uso das substâncias psicoativas ficou em 12,5 anos para o álcool, 13,5 anos para o tabaco e para calmantes, 14 anos para inalantes e 14,5 anos para maconha, cocaína e estimulantes tipo anfetamina (ETA).

O Cebrid, fundado em 1978, realiza desde a década de 1980 levantamentos epidemiológicos sobre o consumo de drogas entre estudantes da rede pública, mas, até agora, havia uma lacuna do conhecimento em relação à rede privada. O estudo atual também é o primeiro a considerar o binge drinking e a envolver os fatores de risco.

“Os resultados mostram que a proporção de estudantes que relatou já ter consumido substâncias psicoativas é semelhante à registrada em estudos anteriores com alunos da rede pública de ensino, mas alguns padrões de consumo apresentaram diferenças. A frequência de consumo de álcool foi maior nas escolas públicas. Mas nas particulares, em compensação, quando os estudantes bebem estão mais sujeitos ao exagero”, disse Ana Regina.

O estudo indicou que o comportamento binge drinking no mês anterior à pesquisa estava mais presente entre os meninos (26,8%), mas também foi elevado entre as meninas (21,7%). Cerca de 7,3% dos meninos e 5,4% das meninas relataram ter bebido no padrão binge de três a cinco vezes no último mês. “Isso sugere que a prática é comum entre adolescentes”, disse Ana Regina.

Vários fatores se mostraram associados à prática de binge drinking no mês que antecedeu a pesquisa, segundo o estudo. Entre alunos do ensino médio, por exemplo, morar com alguém que se embriaga aumentou duas vezes a chance de ocorrência desse comportamento. Sair à noite uma vez por semana aumentou as chances em 9,5 vezes. Sair à noite todos os dias aumentou as chances de comportamento binge em 20 vezes.

“Isso não quer dizer que se deva prender o adolescente em casa. Mas devemos dar atenção à negociação de limites e aos exemplos familiares. Esses fatores de risco não são causais, apenas indicam uma correlação. O adolescente que arrisca no consumo de drogas também se arrisca em outros aspectos da vida. As ações preventivas não devem focar apenas nas substâncias, mas o desenvolvimento do adolescente em relação a comportamentos agressivos, hiperatividade e dificuldades de aprendizado, por exemplo”, afirmou a pesquisadora do Cebrid.

Outros fatores de risco para o comportamento binge, segundo a pesquisa, foram o sexo (o risco aumenta em 70% entre os meninos), idade (50% para cada ano a mais), pais separados (30% mais risco), não confiar em Deus (40%) e não conversar com os pais (60%). A condição socioeconômica também influencia: o risco é duas vezes maior entre os alunos das escolas com mensalidade acima de R$ 1,2 mil.

“Apesar de a condição socioeconômica ter sido um fator de risco em relação ao binge drinking, é impressionante a semelhança entre os padrões de consumo e os tipos de drogas presentes nas escolas privadas e públicas. Notamos grandes diferenças com resultados de outros países, mas os estudos feitos aqui sugerem que há uma cultura brasileira de consumo de drogas bastante bem definida”, disse.

Maconha e cocaína
Segundo o estudo, o primeiro consumo de álcool ocorreu principalmente na casa do adolescente (46%), na casa de amigos (26%) e em casas noturnas (15%). A bebida foi oferecida pela primeira vez por familiares (46%) ou amigos (28%). Apenas uma parcela de 21% respondeu “peguei sozinho”. Os meninos deram preferência à cerveja e as meninas às bebidas tipo “ice”, batidas, caipirinha e vinho.

O tabaco, assim como o álcool, esteve mais associado a alunos do ensino médio: 33% dos alunos experimentaram alguma vez na vida, contra 14,8% do ensino fundamental. Os fumantes regulares (que consomem tabaco mais de 19 dias no mês) correspondem a cerca de 4% dos estudantes do ensino médio e menos de 1% do ensino fundamental. Meninos e meninas fumam em quantidade e frequência semelhantes.

O consumo de inalantes apresentou diferença considerável de gênero: 16,2% dos meninos e 11% das meninas experimentaram alguma vez na vida. O padrão de consumo mais comum foi de um a cinco dias por mês. No ensino fundamental, os tipos de inalantes preferidos foram o esmalte e acetona (41,7%) e gasolina (38,4%). Já entre os estudantes do ensino médio, os mais comuns foram os inalantes ilegais: “lança” e “loló” (71,9%).

“O estudo indica diferenças de gênero e escolaridade em relação ao consumo de maconha. Cerca de 5% dos meninos fumaram a droga no mês anterior à pesquisa, contra 2,5% das meninas. A maior prevalência do uso de maconha esteve entre os estudantes do ensino médio: 16% já utilizaram alguma vez na vida, contra 3,8% do ensino fundamental”, disse Ana Regina Noto.

Cerca de 3,2% dos meninos experimentaram cocaína pelo menos uma vez na vida. Segundo o estudo, a droga parece ser mais comum entre os meninos, mas o número de observações é baixo demais para garantir a validade dos dados.

O consumo de calmantes e anfetaminas, por outro lado, foi mais comum entre as meninas: 7,5% utilizaram calmantes alguma vez na vida, contra 3,2% dos meninos. No ano anterior à pesquisa, essas substâncias foram usadas sem prescrição médica por 5% das meninas e 2,5% dos meninos. O uso de calmantes esteve associado à família. Na primeira ocasião de consumo, a droga foi geralmente oferecida por algum familiar (50%). “Peguei em casa” foi a resposta de outros 38%.

Os adolescentes afirmaram ainda ter utilizado, pelo menos uma vez na vida, drogas como o ecstasy (4,3% dos meninos e 1,7% das meninas), benflogin (2%), anabolizantes (2,5% entre os meninos e 0,2% entre as meninas) e LSD ou chá de cogumelo (2% dos meninos e 1% das meninas).

O consumo “pelo menos uma vez na vida” – que segundo os pesquisadores não caracteriza o adolescente como usuário da droga – foi de 80% para o álcool, 24,6% para o tabaco, 13,6% para inalantes, 10,7% para maconha, 5,3% para calmantes, 3,6% para ETA e 2,2% para cocaína.

Agência Fapesp
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/alcool+33+dos+jovens+de+escolas+privadas+de+sp+ja+tomaram+porre/n1237655782511.html

A vida sexual depois das drogas

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) atesta que a dupla “sexo e droga” é uma farsa. A existência da segunda é uma forte ameaça ao primeiro.

No caso dos homens, mostram os dados coletados em 295 pacientes em tratamento por uso de maconha, crack, cocaína e álcool, os problemas relacionados ao desempenho sexual, como impotência e ejaculação precoce, ficam muito mais recorrentes.

Para as mulheres – grupo que compõe a segunda etapa do estudo – os especialistas acreditam que o dano é ainda mais nocivo: a região do cérebro ligada à libido e ao prazer é afetada e pode inviabilizar a relação sexual.

“As dependentes químicas têm imensa dificuldade em ter vida sexual sadia, mesmo quando já estão longe das drogas”, afirma autora do estudo Alessandra Diehl, psiquiatra especializada em dependência química e sexualidade. “Muitas mulheres usam o sexo para conseguir drogas durante o vício. Por isso, fica delicado encarar a relação sexual naturalmente após o tratamento. Ou as pacientes associam o sexo a uma possível recaída ou simplesmente não querem mais contato sexual com ninguém”.

Impotentes, promíscuos e doentes
Os dados da pesquisa da Unifesp, ainda preliminares, mostram que 47% dos usuários de drogas apresentam queixas de disfunção sexual, 14 pontos acima do índice de transtornos detectado na população em geral (33%, segundo levantamento do programa de sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas).

Além de conviverem com mais problemas sexuais, 68% dos participantes afirmaram negligenciar o preservativo durante as relações sexuais – 41% não usam e 27% usam esporadicamente – um passo arriscado em direção às doenças sexualmente transmissíveis, que também podem causar disfunção erétil e dor durante o sexo.

“O que nos chamou atenção é que quando questionados porque não usam preservativo, a resposta mais frequente dos dependentes foi ‘tenho um relacionamento fixo’”, explica Alessandra. “Esta informação contrasta com outro dado identificado no levantamento. Em média, os pacientes estudados informaram ter cinco parceiros sexuais diferentes durante o ano, um comportamento promíscuo para os padrões da OMS (Organização Mundial de Saúde), que define como três parceiros anuais o índice aceitável”, afirma a médica ao completar que a constatação serve de termômetro do quanto a visão do que é um relacionamento estável também é comprometida pelo uso da droga. “Tudo é muito efêmero. Nada é mais aprofundado.”

Diagnóstico feminino
Na primeira etapa do estudo da Unifesp, a maior parte dos pesquisados foi de homens. As poucas mulheres participantes trouxeram a evidência de que a sexualidade feminina após a dependência precisa ser mais pesquisada, aprofundada e trabalhada durante o tratamento.

“Só para citar um exemplo, uma das mulheres participantes teve 120 parceiros sexuais em um ano. Como ela vai reconstruir a vida sexual sem a droga?”, questiona Alessandra Diehl.

A psiquiatra da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e outras Drogas (Abead), Carla Bicca, acrescenta que, com o início cada vez mais precoce das meninas no universo das drogas, muitas nunca nem sequer experimentaram uma relação sexual sem estarem intoxicadas.

“Elas fazem do corpo moeda de troca para conseguir a droga, inclusive as meninas que são de classe média alta”, afirma Carla Bicca. “Além disso, a cocaína e o crack, em especial, afetam com muita intensidade a região do cérebro responsável pelo prazer. Com isso, para elas fica mais difícil ter prazer em outra situação sem ser com o uso das drogas”, completa Carla.

Na cama após o crack
As duas drogas que comprometem a área cerebral ligada ao prazer registraram aumento escalonado de dependentes do sexo feminino. Dados dos centros de tratamento de saúde do Estado de São Paulo mostram que em dois anos aumentou em 91% a procura de mulheres por este tipo tratamento.
Daniel Cordeiro, psiquiatra responsável pela unidade de tratamento e internação pública de dependência química localizada em São Paulo, disse em entrevista recente ao Delas que a maioria das pacientes entra no universo das drogas levada pelas mãos de um namorado, companheiro ou marido. “A dependência elas constroem junto com eles. A recuperação não”, constatação que aumenta o leque de dificuldades para reconstruir uma vida sexual de qualidade após o vício.
Uma balconista de 21 anos foi uma das que chegou na clínica e deixou o marido dependente ainda na companhia do crack. Pouco antes de receber alta dos três meses de internação, ela tinha medo de voltar para Franco da Rocha (município onde mora), beijar quem ela chama de amor da sua vida, e sentir vontade de acender novamente o cachimbo.
A jovem, assim como outras pacientes de várias idades (Marlene, de 45 anos, que não lembra da última vez que deitou com alguém sem estar alcoolizada) participam de um projeto piloto das clínicas mantidas pela Unifesp para, de forma simultânea no processo de recuperação, começarem a tentar reconstruir também a vida sexual após a dependência.
 
http://www.oriobranco.net/noticias/2108-a-vida-sexual-depois-das-drogas.html

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas

Ao lançar o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, o Governo sinaliza que tem a mesma percepção.
A iniciativa merece apoio e, dentro do espírito colaborativo que sempre marcou as ações da ABP, é fundamental o posicionamento dos psiquiatras em relação às políticas públicas de tratamento de dependentes químicos:
- Embora o crack seja, reconhecidamente, a droga mais danosa para a sociedade brasileira, seu combate e tratamento não podem estar dissociados das demais drogas, inclusive daquelas consideradas lícitas - o álcool e o tabaco. Trata-se de um problema único e a relação entre as substâncias, sobretudo na prevenção, deve ser considerada para a construção das políticas públicas.
- O tratamento para dependentes químicos é complexo e necessita prioritariamente de assistência médica. As iniciativas devem se orientar pelos conhecimentos técnicos e pelas evidências científicas que apontam para uma rede de atendimento integrada, balanceada e hierarquizada para atender aos pacientes. É necessário oferecer um sistema com unidades básicas de saúde e ambulatórios, hospitais-dia e especializados, CAPs, comunidades terapêuticas, entre outras estruturas (ferramentas), que prestem atendimento de acordo com a gravidade do quadro clínico, monitore o paciente e faça a transferência para outros níveis de atendimento de acordo com as necessidades e a evolução do caso.
- As evidências já demonstraram que unidades psiquiátricas em hospitais gerais não são eficientes para o tratamento de dependência em crack.
- A ABP se opõe a qualquer ação classificada como de “redução de danos”, no caso do crack. A experiência demonstra que os resultados são negativos.

- É necessário avaliar que grande parte dos dependentes em crack são menores de idade e as iniciativas devem estar de acordo com o Estatuto do Menor e do Adolescente. Especialmente para esse público, também é fundamental a oferta de educação em período integral, alternativas de lazer, esporte, cultura e empregos.
- As ações preventivas devem atingir pessoas que ainda não são dependentes. Por isso a necessidade de médicos, especialmente psiquiatras, e de um serviço social que atuem nas escolas e serviços de saúde para a realização de diagnósticos precoces.
- É preciso criar uma estrutura de apoio para as famílias, que são afetadas pelo problema na mesma proporção que os pacientes.
- Os CAPs são instrumentos úteis dentro de uma rede de atendimento, mas as políticas para a intervenção não devem ser apoiadas exclusivamente nesta ferramenta. Os CAPs não têm recursos técnicos para atender às diversas formas de manifestação dos transtornos mentais e da dependência química. Além disso, está claro que grande parte das unidades em atividade não funciona adequadamente, inclusive, em alguns casos, sem a presença de médicos.
Em março de 2010, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) apresentou uma “Avaliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Estado de São Paulo”. Coordenado pelo Dr. Mauro Gomes Aranha de Lima, o Departamento de Fiscalização do Cremesp avaliou as condições de funcionamento de 85 dos 230 centros em atividade no estado. Abaixo alguns dos principais resultados:
• 42% dos CAPS não contavam com retaguarda para internação psiquiátrica e 31,3% não tinham retaguarda para emergências psiquiátricas;
• 66,7% não disponibilizam atendimento médico clínico na unidade e 25,3% não tinham retaguarda para emergências médicas clínicas;
• 30% dos CAPS III (de maior complexidade) não acataram a legislação no que se refere à “atenção contínua durante 24 horas diariamente, incluindo feriados e finais de semana”;
• 20% dos prontuários médicos apresentaram pelo menos uma falha no registro de dados;
• 27,4% dos CAPS não mantinham articulação com recursos comunitários para a reintegração profissional dos pacientes.
- Por fim, é fundamental investir em formação. Infelizmente o Brasil não conta com um número suficiente de psiquiatras e outros profissionais especializados em saúde mental para enfrentar a situação. Essa iniciativa deve prever também um plano de carreira para médicos da rede pública que ofereça melhores condições de trabalho e de remuneração, além de melhor distribuição dos profissionais no território nacional.
A Associação Brasileira de Psiquiatria coloca-se à disposição para colaborar com os esforços do Governo nessa enorme batalha, que é permanente e deve ser de toda a sociedade.
Natalia Kfouri
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10411:plano-integrado-de-enfrentamento-ao-crack-e-outras-drogas&catid=47:cat-saude&Itemid=328

Crianças dependentes de crack lutam por internação

No Rio Grande do Sul, onde cerca de 200 mil gaúchos são usuários de crack e não existem estimativas sobre quantos destes têm menos de 12 anos, o único local que disponibiliza, pelo Sus, uma ala para tratar crianças viciadas na pedra é o Hospital Psiquiátrico São Pedro (HPSP). Mas são apenas dez leitos. Conseguir um deles é uma difícil loteria, que depende, muitas vezes, da Justiça. Em Montenegro, um retiro que mantém uma unidade para pré-adolescentes e adolescentes já recebeu um menino de dez anos, após um apelo da própria mãe do garoto.

Infância destruída: atendimento de crianças viciadas em crack
 
Hoje, na segunda matéria sobre a geração de zumbis que está se formando devido ao crack, o Diário Gaúcho mostra como estes dois locais trabalham para tentar livrar os pequenos usuários da pedra maldita.

Metade dos leitos para craqueiros

O corredor de paredes brancas, com desenhos a tinta guache, lembra uma escola. A sala de convivência, com cortinas coloridas e brinquedos, um quarto infantil.
A decoração é parte da tentativa do HPSP de alegrar a sombria vida dos pequenos. O São Pedro mantém o Centro Integrado de Atenção Psicossocial (Ciaps) Infantil. No local, que atende a internos entre cinco e 11 anos, pelo menos 50% dos dez leitos são ocupados por vítimas da pedra.

– O número de crianças envolvidas por esta droga vem aumentando nos últimos cinco anos. A maioria tem pais usuários de drogas ou ausentes – constata o psiquiatra Ronaldo Rosa.

Sob os cuidados de enfermeiros e médicos, chamados de tios, as crianças têm atividades como musicoterapia e educação física. O dia mais esperado é a quarta-feira, com um projeto da Ufrgs que oferece aulas de Informática. Há até um blog (http:\\oficinandoemrede.blogspot.com).

No total, o tratamento no HPSP dura três semanas:

– O tempo é curto, mas tentamos descobrir quais são os problemas destes internos.
A Secretaria Estadual da Saúde informou que conta com 617 leitos no Estado para tratamento de drogados. Mas não especifica quantos são para crianças.

"Quero ter uma vida nova"

Aos 15 anos, uma garota do Interior paulista passou pela segunda vez no HPSP. Usuária de drogas desde os dez, ela engravidou aos 12 e doou o bebê para seguir no crack. Percorreu o Brasil na carona de caminhoneiros. Para ter a droga, se prostituía. Agora, está grávida pela segunda vez e voltou para São Paulo, após 15 dias no São Pedro:

– Meu organismo está limpo. Não vou trocar o meu filho novamente pelo crack. Quero ter uma vida nova.

Números

A unidade de desintoxicação para adultos tem 30 leitos, todos usados por craqueiros. A unidade de adolescentes tem dez leitos, em média, 90% são para viciados na pedra. A ala infantil tem DEZ LEITOS, em média, 50% são para dependentes de crack

Olhar distante

Dois dias após ser internado no São Pedro, o menino de dez anos, cuja história foi publicada ontem, queria se enturmar. De pouca conversa, mais gesticulava do que falava com um garoto da mesma idade – também usuário de crack – enquanto brincavam. Cabisbaixo, não quis conversa com a enfermeira. Manteve-se calado, e distante.

Na sala de informática, esboçou o primeiro sorriso. Orientado pelos instrutores, preferiu brincar nos jogos.
– Ele chegou arredio, como todos. Mas está voltando a ser criança – afirmou a técnica em Enfermagem Fernanda Veçossi.

"Eles só querem carinho e atenção"

Há três anos lidando diretamente com os internos do HPSP, Fernanda já conhece as técnicas usadas pelos pequenos viciados.

– Os meninos chegam demonstrando malandragem e gostam de afirmar que não precisam de ajuda. Mas bastam as primeiras conversas para que eles voltem a ser apenas crianças – conta.
Fernanda costuma ouvir histórias de abandono, de famílias desgarradas e de agressões:

– Aqui eles têm comida, alguém para ouvi-los e uma rotina que não existe lá fora. Eles só querem carinho e atenção. Afinal, são apenas crianças.

Crack domina no Recreo

Trabalhando há duas décadas na recuperação de dependentes, Otávio dos Santos Furtado mantém três unidades do Retiro Comunitário de Reabilitação Ocupacional (Recreo), em Montenegro. A dos adolescentes surgiu a partir do crescimento da procura por internação para usuários a partir dos 12 anos.
Porém, Otávio alerta para outra mudança: o aumento da procura por vagas para crianças.

– Na primeira vez que veio um menino de dez anos, precisei colocá-lo com as mulheres. Eu não tinha experiência, mas não podia negar o atendimento – diz Otávio.

Hoje, os 18 internos da unidade jovem são dependentes de crack – o mais novo tem 12 anos. A maioria conheceu a pedra antes de entrar na puberdade. A internação dura nove meses.

– O tratamento das crianças é diferente. É preciso dar amor, carinho e educação. Não termina em nove meses. A sociedade não se deu conta de que, com uma criança, precisa ser diferente – avisa Otávio.

- Por que isso está acontecendo?

- Entender como crianças que mal sabem ler ou escrever já estão viciadas é o desafio. Famílias desestruturadas, mães e pais também dependentes. Esse é o exemplo que eles têm em casa – aponta a conselheira tutelar da Capital Salete Alminhana.

Para a também conselheira Eliane Aliano, de Viamão, em geral, nesses casos, o primeiro contato com a droga acontece em casa:

– Uma vez presenciei uma cena de um menino que sangrava há dois dias. Em vez de levá-lo ao médico, a família dava pedras para ele fumar.

Outra conselheira ressalta que, com o avanço do crack, o trabalho deles ficou mais perigoso:

– A gente entra na vila para buscar um cliente ou um soldadinho do tráfico – conta, sem revelar o nome por medo.

"Fiquei doido"

O corpo franzino lembra o de um menino de oito anos, mas o morador do Litoral Norte tem 12, um vocabulário repleto de gírias e a experiência de vida de um adulto. Há dois anos, ao ver a mãe consumir drogas após a morte de outro filho, o garoto decidiu “curtir”, como ele define:

– Pensava comigo que se a minha mãe estava nas drogas, também poderia curtir uma vida mais desnaturada.

Ele demora a dizer que já usou crack, mas acaba confessando a primeira vez:

– A mãe esqueceu uma pedra. Então, experimentei. Fiquei doido.

Na visita mais recente à família, o menino convenceu a mãe a se internar. Hoje, ambos estão na Recreo. Porém, o menino deve sair nos próximos dias:

– Não sei se não vou usar de novo. Vou ver.

"Aprendi o que é sentimento”

Aos nove anos, um dos internos do Recreo conheceu a maconha. Aos 11 anos, serviu como mula para levar 1,5kg da droga de uma cidade a outra. No mesmo ano, descobriu o crack. Filho de pai alcoólatra, ele levou a família a mudar de cidade na tentativa de livrá-lo das drogas. Foi em vão. Em poucos dias, voltou a usar e roubava para sustentar o vício. Hoje, aos 15 anos, o garoto lembra que parou de estudar aos dez anos.

– Uma vez, fumei crack e tentei ver televisão. Não deu certo. Eu olhava e não entendia nada de tão doidão que eu estava.

Falta de serviço especializado

A principal reclamação de quem lida com as crianças é a ineficácia do tratamento. Depois dos 20 dias no hospital, a criança volta para casa e, quase sempre, para o vício.

– Em um dos casos que eu atendo, o menino foi internado três vezes em dois meses – diz Salete.

Segundo a promotora da Infância e Juventude da Capital Noara Lisboa, outra dificuldade aparece após a alta. O ideal seria a criação de Centros de Atenção Psicossocial Infantil.

– O único que temos não atende a viciados. A criação de unidades assim e que prestem atendimento à família é essencial – comenta Noara.

A consequência dessa falta de sequência é avassaladora. Sem acompanhamento, a chance das crianças recaírem é imensa.

– Sem falar no aumento do número de crimes, na superlotação dos abrigos, na evasão escolar, entre outros problemas – enumera a promotora da Infância e Juventude de Viamão, Daniela da Silva.

A exceção virou regra

Para o chefe do Serviço de Psiquiatria do HPSP, Alceu Correia Filho, mandar o paciente para casa, na chamada internação domiciliar, é uma medida paliativa.

– O tratamento em casa é feito com medicamentos para controlar a impulsividade causada pela fissura – conta.

Segundo o psiquiatra, o médico deve observar se a família tem como manter a criança em casa durante o período e vigiá-la 24 horas por dia.

– O que era para ser a exceção acaba virando regra, pois não temos leitos para todos.
A campanha Crack, Nem Pensar luta pela prevenção e escolheu 20 projetos que atuam com este foco.

Saiba como ajudar:

- Em www.portalsocial.org.br, escolha um dos projetos, selecione o valor e clique em “doar agora”.
- Preencha seu cadastro ou emita boleto bancário para fazer a doação.
- Mais informações: www.cracknempensar.com.br

Aline Custódio e Carolina Rocha - DIÁRIO GAÚCHO
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Geral&newsID=a2917516.xml

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uso de drogas aumentam em Botucatu e região

Aumentam os problemas relacionados à saúde pública na região, por conta do aumento do consumo de drogas legais e ilegais.

Na zona rural e urbana o tabaco, álcool e o crack estão entre as drogas mais utilizadas, assim como tem aumentado os registros de apreensões de grandes quantidades de entorpecentes em cidades que até recentemente não se ouvia falar do problema.

“Em Botucatu, apenas a DISE, sem incluir as ocorrências da PM, foram apreendidas em 2009, cerca de 108 mil porções de entorpecentes, sendo aproximadamente 90 mil porções de crack e cocaína, 18 mil de maconha e 210 comprimidos de ecstasy”, informou o delegado Paulo Buchignani.

O crack apesar de ser apresentado como droga barata é muito dispendiosa ao usuário, que desembolsa cerca de R$ 15,00 por pedras de 0,3 gramas, suficientes para fumar duas ou três vezes, com efeito médio por 10 minutos.

Para enfrentar esse problema de saúde pública, as Secretarias de saúde do Município e Estado, com a Faculdade de Medicina estão desde o ano passado lutando pela instalação de um hospital para atendimento aos dependentes químicos, álcool e tabaco na cidade.

Segundo o professor José Manoel Bertolote, colaborador do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina, está adiantada a instalação do Serviço Hospitalar de Referência, em um antigo motel, na rodovia Marechal Rondon, que atenderá pacientes das sub-regiões da DRS de Bauru, em Botucatu e Avaré.

Bertalote por 19 anos atuou na sede da Organização Mundial de Saúde, em Bruxelas. Ele explicou ao Diário como está o processo de instalação da unidade regional e a dificuldade existente para esse tratamento.

Qual a razão da demora na instalação do centro de recuperação? Aquele motel às margens da rodovia Marechal Rondon, continua em pauta?

José Manoel Bertolote - O problema da atenção aos usuários e dependentes de drogas é bastante complexo e não imagino que um centro de recuperação resolva o problema. Essa atenção deveria ser prestada em todos os níveis de assistência à saúde existente no Município com cuidados gerais, que deveria identificar os casos, tratar os de menor complexidade e encaminhar os de maior complexidade ao nível secundário e o de cuidados especializados. É o caso do Centro de Atenção Psico Social – álcool e droga, (CAPSad) em pleno funcionamento, porém com sua capacidade assistencial no limite. Os esforços para a ampliação do CAPSad e sua transformação em CAPSad-III, que prevê, além de sua função ambulatorial principal, a admissão de pacientes por breves períodos para desintoxicação, já estão avançados, porém esbarram no que parece ser um elemento prosaico, a inexistência em Botucatu de imóveis comerciais para essa finalidade. Tal serviço precisa ser instalado em região de fácil acesso, bem servido por transporte público. Em virtude das características de seus usuários potenciais, precisaria ter, no mínimo, quatro quartos separados por sexo para pacientes adultos e adolescentes, além das demais dependências necessárias para o funcionamento do serviço. Apesar dos esforços, um imóvel com essas características não foi encontrado. Em contato recente com um funcionário do Ministério da Saúde, fui informado que esse é um problema comum à maioria das cidades brasileiras de médio e pequeno porte e que dificulta sobremaneira a ampliação da rede de cuidados especializados em saúde mental.

O que teria em mais um CAPS álcool e drogas?

José Manoel Bertolote - Com o terceiro CAPSad teremos cuidados especializados ambulatoriais e internações de um a sete dias, mas faltam ainda os cuidados especializados, secundários e terciários, que implicam internações mais prolongadas. É aqui que entra o Serviço Hospitalar de Referência, para dependentes químicos, (SHR). Como o nome indica, é um serviço hospitalar para internações breves, de 7 a 28 dias, de pacientes com dependência de álcool ou outras drogas.

E como está a instalação do Serviço Hospitalar de Referência, será regional?

José Manoel Bertolote - Uma Comissão Técnica visitou um motel desativado, na rodovia Marechal Rondon, que reúne características adequadas para a instalação desse Serviço Hospitalar, dependendo apenas de alguns acertos arquitetônicos. Diante disso, foi preparado, pelo Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina, um projeto técnico para o funcionamento do Serviço, bem como as sugestões de reforma do prédio. O projeto foi entregue à Diretoria Regional de Saúde de Bauru, pois deverá atender também pacientes da sub-região de Avaré e Botucatu. Neste momento, a Engenharia da Prefeitura de Botucatu está orçando o custo das reformas. Acredito que esse projeto esteja adiantado em uma ou duas semanas teremos novidades. Esse motel é ponto fechado na Comissão.

Que tipo de funcionários seriam contratados?

José Manoel Bertolote - O Serviço Hospitalar de Referência terá um corpo clínico especializado e necessário em um serviço de internação para pacientes com esse diagnóstico: médicos clínicos e psiquiatras, pessoal de enfermagem, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, professores de educação física e encarregados de oficinas. Todo esse pessoal deverá ser contratado por uma organização tipo OS, com fundo do Estado.

O senhor tem experiência internacional na área. Tal hospital de recuperação resolve o problema do doente químico? Dizem, muitas vezes, que o tratamento tem de ser para o doente e a família, isso é verdade?

José Manoel Bertolote - É verdade. A participação da família é essencial no processo de recuperação de dependentes. O Serviço Hospitalar não resolve todo o problema, mas é peça fundamental da rede de atenção á saúde desses pacientes. Esse serviço, ou qualquer outro, só pode tratar pessoas que queiram ser tratadas, o que é a minoria dos casos, infelizmente. Acontece mais freqüentemente é um familiar querer que a pessoa seja tratada, porém ele ou ela não aceita o tratamento. Neste casos, a equipe técnica não pode fazer nada. Por ser um serviço especializado é para tratamento de dependentes e não para simples usuários de álcool ou outras drogas.

Em Botucatu percebemos que a dependência química de drogas ilegais como crack, cocaína, maconha e anfetaminas são altas, mas os problemas com as drogas legais são maiores, como o álcool e tabaco. Menores de 15 anos já são vistos bêbados em baladas...

José Manoel Bertolote - Não só em Botucatu, mas na maior parte do mundo ocidental, o álcool e o tabaco são os verdadeiros problemas de saúde pública. As conseqüências, físicas, psíquicas e sociais, nefastas apenas do álcool são, no mínimo, dez vezes maiores e mais graves que de todas as demais drogas reunidas, com exceção do tabaco. A venda de bebidas alcoólicas a menores no “pontos de balada” atingiu tais proporções que deveria suscitar uma intervenção das autoridades sanitárias, policias e judiciais do Município.

O senhor tem idéia da dimensão da quantidade dos usuários de drogas Legais e ilegais em Botucatu ?

José Manoel Bertolote - Em 2009, o Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Medicina concluiu um importante inquérito sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas por estudantes do ensino fundamental e médio em Botucatu, nas escolas municipais, estaduais e particulares. No ensino fundamental, a média de usuários regulares de álcool foi de 39%, 4% para o tabaco e 2% para todas as demais drogas reunidas. No ensino médio, as médias foram de 73,5% para o álcool, 16% para o tabaco e 7% para todas as demais drogas reunidas. A coordenadora desse estudo foi a professora Florence Kerr-Corrêa, que realizou anteriormente outro inquérito com adultos de Botucatu e Rubião Jr, de cujos dados não disponho, no momento.

http://www.entrelinhas.com/portal/index.php?CAT=18&DET=14121

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pesquisas com alucinógenos voltam a ser feitas nos EUA

Os cientistas norte-americanos ganharam permissão para estudar novamente o potencial de substâncias alucinógenas para tratamento de problemas mentais e entender a natureza da consciência. Os alucinógenos se tornaram um tabu entre as agências reguladoras norte-americanas após entusiastas como Timothy Leary tê-los promovido na década de 1960 com o slogan "Se Ligue, Sintonize e Caia Fora".

Como psicólogo clínico, Clark Martin estava bem familiarizado com os tratamentos tradicionais para depressão. Entretanto, um câncer no rim parecia intratável, mesmo com as intensas sessões de quimioterapia e outras terapias exaustivas. O aconselhamento parecia inútil para ele e as pílulas antidepressivas que ele testava também não funcionavam.

Nada teve um efeito duradouro até que, aos 65 anos, ele passou por sua primeira experiência psicodélica. Clark Martin participou de um experimento na escola médica da Universidade Johns Hopkins envolvendo a psilocibina, substância psicoativa encontrada em algumas espécies de cogumelos.

Após tomar o alucinógeno, Martin colocou um tapa-olho, fones de ouvido e se deitou em um sofá ouvindo música clássica enquanto contemplava o universo.

"De repente, tudo o que me era familiar começou a evaporar", lembra-se Martin. "Imagine você caindo de um barco em mar aberto. Aí você se vira e nota que o barco desapareceu. Então a água some. E aí você desaparece".

Hoje, mais de um ano depois, Martin afirma que aquela experiência de seis horas o ajudou a superar sua depressão e transformou profundamente seus relacionamentos com sua filha e amigos. Ele classifica esse momento como um dos eventos mais significativos da sua vida, que o torna membro típico de um clube crescente de voluntários em experimentos psicodélicos.

Pesquisadores de todo o mundo se reuniram na última semana em San José na maior conferência sobre a ciência psicodélica já realizada nos Estados Unidos. Eles debateram estudos sobre a psilocibina e outras substâncias psicodélicas para tratar depressão em pacientes com câncer, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ansiedade do fim da vida, distúrbio de estresse pós-traumático e vício em drogas ou álcool.

Os resultados até agora são animadores, mas, também, preliminares. Os pesquisadores advertem que é um erro tentar achar sentidos escondidos nesses estudos em pequena escala. Eles não querem repetir os erros dos anos 1960, quando alguns cientistas, transformados em evangelistas, exageraram no entendimento sobre os riscos e os benefícios das drogas.
Como as reações aos alucinógenos podem variar dependendo da configuração dos testes, os pesquisadores e comitês de revisão desenvolveram diretrizes para estabelecer um ambiente confortável com monitores experientes para lidar com as reações. Os novos padrões podem fazer com que os efeitos das drogas sejam avaliados mais corretamente.

Traduzido por André Luiz Araújo
JOHN TIERNEY - THE NEW YORK TIMES
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=138428