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sábado, 7 de abril de 2012

Reencarnação e Psicoterapia: como abordar eticamente as crenças espirituais dos pacientes que buscam psicoterapia?

Segundo Data Folha 37% das pessoas no Brasil acreditam em reencarnação e conforme World Values Survey esta crença é professada por grande parte da população mundial, que naturalmente podem procurar psicoterapia
 
A crença na reencarnação – envolve um ciclo contínuo de aprendizado e evolução através das vidas sucessivas – é encontrada ao longo da história humana em diferentes épocas e culturas. Deste ponto de vista, as dificuldades são transitórias e podem ser superadas quando suas lições que as adversidades trazem são absorvidas.
 
O psicólogo clínico e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP, Julio Peres, publicou há dois dias o artigo “Should psychotherapy consider reincarnation?" no Journal of Nervous and Mental Disease (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22297317). “Há um crescente reconhecimento da necessidade de se levar em conta o ambiente cultural e os sistemas de crenças dos pacientes na psicoterapia. Respeitar as opiniões e realidades subjetivas do paciente é uma necessidade terapêutica e um dever ético, mesmo que os profissionais não compartilhem das mesmas crenças”, explica.
 
Em todo o mundo há um grande número de pessoas que crêem na reencarnação. Segundo dados do World Values Survey, tal crença é professada por 22,6% da população nos países nórdicos, 27% na Europa Ocidental, 20,2% na Europa Oriental; já nos Estados Unidos o número chega a 27% (Gallup, 2003) e no Brasil a 37% (Data Folha, 2007). Parte importante da cultura, as crenças religiosas têm papel importante na formação de juízos e no processamento de informações, auxiliando muitas pessoas a organizarem ou compreenderem eventos dolorosos, caóticos e imprevisíveis que podem gerar sintomas diversos como Fobias Específicas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
 
A inclusão de “problemas religiosos ou espirituais” como categoria diagnóstica no DSM-IV (American Psychiatric Association, 1994) reconhece que os temas religiosos e espirituais podem ser foco da consulta psiquiátrica/psicológica. “Estar confortável para abordar com o paciente temas sobre espiritualidade e religiosidade como a reencarnação é o primeiro de uma série de passos para que o processo terapêutico siga as diretrizes éticas”, postula o psicólogo clínico.
 
“A integração da crença reencarnacionista durante a psicoterapia requer profissionalismo, conhecimento e capacidade de alinhar as informações coletadas sobre os valores do paciente para o benefício do seu processo terapêutico. Questionamentos como psicólogos e psiquiatras devem discutir reencarnação com seus pacientes?, quais são os limites profissionais quando temas religiosos e/ou espirituais são trazidos? foram esclarecidos”, afirma Julio Peres.
 
Recentemente um artigo no The New York Times (Lisa Miller) afirmou que o interesse na reencarnação está em ascensão, e os responsáveis pela divulgação não são monges ou teólogos, mas terapeutas. “Esta notícia nos indica uma abertura terapêutica saudável, mas também uma preocupação com ‘falsos-terapeutas’ que não possuem um treinamento clínico adequado para conduzir a psicoterapia”, ressalta Julio Peres. “Atribuir significados aos sintomas de ansiedade, desajuste, fobia específica ou estresse pós-traumático, alinhados aos conteúdo de supostas vidas passadas – se essa for a crença do paciente – podem favorecer a atenuação ou libertação dos sintomas.”
 
As práticas religiosas que envolvem a reencarnação, por exemplo, desempenham um papel ativo no desenvolvimento de mecanismos saudáveis de enfrentamento por refugiados tibetanos. Não tão distante, uma engenheira de 38 anos e mãe de três filhos, se sentia incapaz de se relacionar com um deles. “Ela não conseguia expressar afeto e evitava o contato com essa criança, sem compreender as causas deste distanciamento. Por acreditar na reencarnação e no fato que ‘somos um pai ou um filho nesta vida por alguma razão’, buscou algumas abordagens psicoterápicas até sentir que sua crença em relação à reencarnação era aceita. Ao sentir confortável para expor suas dificuldades com seu filho relacionando-as com o que acreditava, a paciente conseguiu se ouvir, gerar novos comportamentos e um equilíbrio na relação com o filho durante o processo terapêutico”, exemplifica Julio Peres. “Porém, para que isso acontecesse foi preciso entender a relação entre os sintomas apresentados por ela, as crenças na reencarnação e o significado da evolução espiritual para a paciente.”
 
O Conselho Federal de Psicologia (CFP), em nota pública sobre Psicologia e religiosidade no exercício profissional à sociedade e aos psicólogos, esclarece que “Não existe oposição entre Psicologia e religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma ciência que reconhece que a religiosidade e a fé estão presentes na cultura e participam na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós.” 

Portanto, assim como qualquer pessoa pode procurar tratamento psicológico alinhado aos seus valores e crenças, a reencarnação deve ser levada em conta pelos psicoterapeutas, que devem procurar formação adequada em abordagens coerentes e eficazes sem misticismo ou práticas divinatórias. “As informações obtidas na psicoterapia devem ser sobre o que os pacientes acreditam, o que exige conhecimento de estratégias objetivas para otimizar o enfrentamento das dificuldades com base neste sistema de crenças”, ressalta Julio Peres, psicólogo clínico e doutor em Neurociência e Comportamento pela USP. O artigo “Should psychotherapy consider reincarnation?" é a primeira publicação científica sobre a interface equilibrada entre reencarnação e psicoterapia, que também oferece contribuições ponderadas em tópicos que discutem os riscos e as contraindicações.

DANIELLE FLÖTER

Julio Peres
 
Psicólogo clínico e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Fez Pós-doutorado no Center for Spirituality and the Mind, University of Pennsylvania e na Radiologia Clínica - Diagnóstico de Imagem pela UNIFESP. Autor de estudos que investigaram os efeitos neurobiológicos da psicoterapia através da neuroimagem funcional (Psychological Medicine 2007 e Journal of Psychiatric Research 2011). Pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (PROSER) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e Professor Titular de Psicotraumatologia Clínica do Hospital Pérola Byington. Autor de artigos científicos sobre psicoterapia, trauma psicológico, espiritualidade/religiosidade, reencarnação, resiliência, superação e dos livros "Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade ensinam" editora ROCA (www.julioperes.com.br), e "Neuroimaging for Clinicians: Combining Research and Practice" Ed. InTech (http://www.intechweb.org/books/show/title/neuroimaging-for-clinicians-combining-research-and-practice).

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estudo liga uso de games a depressão, ansiedade e problemas de relacionamento

Pode haver problemas por trás dos olhares fixos da garotada que dedica tempo e energia demais aos videogames. Uma pesquisa feita na Ásia com 3.000 crianças em idade escolar indicou que uma em cada dez era "viciada" em games.

Segundo os pesquisadores, apesar de as crianças já apresentarem problemas comportamentais, o uso excessivo de videogames aparentemente agravou os distúrbios. De acordo com Douglas Gentile, diretor do laboratório de pesquisa de mídia da Universidade do Estado de Iowa, "quando as crianças se viciam, depressão, ansiedade e fobias sociais se agravam".

– Quando elas conseguem superar o vício, esses problemas melhoram.

Ele diz que nem os pais nem os serviços de saúde estão prestando atenção suficiente nos efeitos dos videogames sobre a saúde mental das crianças.

– Tendemos a abordá-los como entretenimento, como apenas um jogo, e a esquecer que o entretenimento também nos afeta. De fato, se não nos afeta, o definimos como "entediante".

No levantamento, as crianças disseram que jogavam videogame, em média, por 20 horas por semana. Entre 9% e 12% dos meninos foram considerados como viciados pela pesquisa, contra 3% a 5% no caso das meninas.

Apesar de os pesquisadores não terem definido um percentual de crianças que sofrem com esses distúrbios mentais, eles encontraram evidências que relacionam o número de horas jogadas a um comportamento impulsivo e problemas de relacionamento social.
Mas um especialista independente afirmou que existem sérios defeitos na pesquisa. Mark Griffiths, diretor do Centro de Pesquisas sobre Games da Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, diz que "pesquisas demonstraram que jogar videogames excessivamente não constitui necessariamente vício e que muitos usuários podem jogar por longos períodos sem que sofram quaisquer efeitos adversos".

– Se 9% das crianças fossem realmente viciadas em videogames, haveria clínicas para o tratamento disso em toda cidade grande.

...Parte do problema, ele diz, é que o novo estudo pode ter medido interesse e não vício.

Copyright Thomson Reuters 2011
http://noticias.r7.com/saude/noticias/estudo-liga-uso-de-games-a-depressao-ansiedade-e-problemas-de-relacionamento-20110117.html

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Ansiedade e depressão fazem pessoas ficarem dependentes de chocolate

O Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) convoca maiores de 18 anos que se consideram viciados em chocolate a participar de um estudo que pretende levantar as causas da compulsão. Serão dez encontros quinzenais no próprio instituto, localizado na região central de São Paulo, às segundas-feiras, das 10h às 11h30. Durante os encontros, os pesquisadores vão incentivar diálogos sobre o tema e oferecer chocolates aos participantes.

Apesar de o termo “chocólatra” ser usado popularmente por quem apenas gosta de chocolate, comer demais a guloseima pode ser sinal de compulsão ou mesmo um distúrbio alimentar que requer tratamento clínico e psiquiátrico. Isso porque o produto vira uma válvula de escape para pessoas com ansiedade ou depressão, que alteram os níveis de serotonina do cérebro, responsáveis pelas sensações de prazer.

Segundo o psiquiatra Arthur Kaufman, líder da pesquisa do Programa de Atendimento ao Obeso do Ipq, a pessoa pode ser considerada viciada em chocolate quando come o doce todos os dias, em bastante quantidade e em um curto espaço de tempo. A vontade incontrolável de ingerir a guloseima é característica comum à compulsão alimentar.

- Um chocólatra é aquela pessoa que come de 300g a 500g de chocolate por dia, mas tem gente que chega a comer 1kg.

Outro fator comum ao chocólatra é usar o doce para aliviar momentos de tensão, explica Kaufman.

- O chocolate libera um neurotransmissor chamado endorfina, o mesmo que é liberado quando se faz muitas horas de academia, que dá sensação de prazer, porque ativa a liberação da serotonina, responsável pelo humor. Quem come chocolate tem melhora imediata do humor.

A economista Carolina de Oliveira, de 25 anos, é chocólatra assumida. Funcionária de uma grande empresa de telecomunicações, sua carga de trabalho diário costuma ser intensa.

- Quando eu não estou estressada como uns quatro ou cinco chocolates. Mas se eu estiver, é mais de dez.
Chego a perder a conta.

A predileção de Carolina pelo doce chega afetar outras refeições. Ela disse que gosta de trocar o almoço por uma barra. Tanto que em um antigo trabalho chegou a cultivar uma gaveta repleta de chocolates em sua mesa de trabalho. Questionada se se considera viciada, a economista não titubeou.

- Sou muito chocólatra. Eu entrei de dieta e consegui ficar sem chocolate por no máximo sete dias e meio.
Não ligo de não comer comida, mas não dá para ficar sem chocolate.

A troca de alimentos por chocolate é outro fator comum entre os chocólatras, de acordo com o endocrinologista Leila Maria Batista de Araújo, vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Isso porque, segundo ela, o vício em chocolate já sinaliza que a pessoa tem uma alimentação desregrada.

- Não deixa de ser um distúrbio alimentar. As pessoas se privam de uma alimentação adequada e, para não se frustrar, tentam comer o chocolate.

Neste grupo, a médica inclui até as celebridades que, mesmo apresentando belos corpos, dizem abusar da guloseima.

- O indivíduo que faz dietas exageradas se priva de coisas importantes, o que gera uma desregulação na operação do metabolismo, alterando os níveis de serotonina. E isso faz ela querer comer muito doce, porque abe que vai ficar mais calma.

Tratamento é feito com moderador de apetite ou antidepressivos

Se for comprovada a compulsão pelo chocolate, o tratamento deve ser realizado como o de qualquer outro distúrbio alimentar, com medicação que limite a vontade de comer descontroladamente. Segundo a endocrinologista da Abeso, são indicados remédios a base de sibutramina (moderador de apetite) ou antidepressivos como a fluoxetina.

- Se a pessoa é obesa, damos a sibutramina para ela perder peso. Se sofre de transtorno de ansiedade ou é depressiva, damos a fluoxetina que vai tentar normalizar os níveis de serotonina.

Junto aos medicamentos, o ideal é receber também orientação psicológica ou psiquiátrica. Para a psicóloga Cecília Zylberstajn, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a psicoterapia é importante porque age na parte emocional, ajudando a pessoa a reconhecer seus sentimentos que levam à compulsão.

- A terapia vai ajudá-la a identificar os problemas existentes que podem influenciar na mudança do comportamento.

Autor: R7.COM  Fonte: O NORTÃO
http://www.onortao.com.br/ler.asp?id=34781